Artigos e Opinião

Opinião

Luiz Fernando Mirault Pinto: A burrice pega

Luiz Fernando Mirault Pinto é Físico e Administrador

Redação

04/09/2016 - 02h00
Notícia sem imagem

É bom que saibamos que burrice não é antônimo (contrário, o oposto) de inteligência nem tampouco se traduz por ignorância (falta de conhecimento ou de formação acadêmica) visto as contradições: “doutores burros” e supostamente burros, mas “doutores” em alguma coisa.

Um historiador e economista italiano, emérito da Universidade de Berkeley (Carlo Cipolla), escreveu um tratado intitulado “As Leis Fundamentais sobre a Estupidez (burrice) Humana” em que define “uma pessoa burra é aquela que causa dano a outrem (ou grupo) sem angariar qualquer vantagem ou benefício e às vezes em prejuízo próprio”.

Para Cipolla, a burrice se caracteriza por ações, pela repetição de erros e enganos justo porque o burro desconhece seus limites e se mantém irredutível a prevalência de suas ideias a ponto de não se preocupar se suas escolhas irão causar prejuízos e os malefícios causados não serão jamais entendidos como tal e, portanto não se justificariam desculpas, ajustes, reflexões ou correções. “Errar é humano, repetir é engano, mas insistir é burrice”

Particularmente acho que a burrice vai além de ações, igualzinho ao pecado que se caracteriza por atos, palavras, omissão e até por pensamento, com uma variante, é contagiosa, isto é pega! 

Mais burros juntos exalam mais burrice que cada um em separado, fato já demonstrado onde a população em peso apoia objetivos inadequados sustentados pela emoção, impedindo a avaliação do senso crítico e normalmente a escolha recai sobre a solução menos inteligente, e que se apresenta como a mais simples.

O poder político, econômico ou social tem a capacidade de amplificar a burrice uma vez que as pessoas em posição de mando, de posses, ou de altos níveis acadêmicos são induzidas a achar que são superiores às demais, mais capazes, mais inteligentes, e convivem com os servis que escravizam, se mantém numa falsa aura, “se aplaudindo” mutuamente na manutenção dessas expectativas.

Existe latente em cada um de nós, um grau de burrice, mas é aquele que nos permite errar uma vez para que possamos aprender com a experiência, adquirindo conhecimento de modo a reconhecer quando necessário que podemos incidir em erro e corrigir antes dos acontecimentos. 

Por vezes admitimos fraquezas considerando-as comuns á falibilidade humana mesmo quando sabedores que nossos pontos fortes são exceções, fato esse que reforça a burrice, fazendo com que nos aventuremos a escolhas estúpidas, sem qualquer avaliação prévia ou analise das consequências. 

Sempre subestimamos o poder de um estúpido em causar danos a outros. Ao nos associarmos a este  nos tornamos perfeitos idiotas, principalmente quando nos enganamos em convicções que consideramos  mais adequadas. Quando não, atribuímos à responsabilidade da escolha inadequada a sorte, ao acaso, ao destino, ou mesmo por pena a outro imbecil que cruzou nosso caminho, embora situações como essas que não nos eximem da burrice.

Atualmente nos defrontamos com uma situação inusitada que exige de nós aceitarmos algumas posições ou decisões capazes de colocarmos nosso futuro nas mãos de pessoas que nos são totalmente desconhecidas quanto às suas convicções, interesses e associações, arriscando colocar em jogo as conquistas sociais adquiridas, até que os politicamente burros reconheçam a escolha errada que apoiaram.

A burrice está patologicamente impregnada de intolerância que se caracteriza pela falta de habilidade ou de vontade em reconhecer e respeitar as diferenças (crenças e opiniões alheias), de preconceito que faz parte da estrutura mental e sua má formação social, e de descriminação, uma concretização dessa forma inadequada de pensar.

Um burro demonstra a obstinação cega no seu convencimento baseando-se em repetidas mentiras ou meias verdades de que sua opinião será uma exceção a todas as regras de bom senso preferindo compartilhar suas ideias com as mídias sociais na busca de seus iguais como forma de reduzir os questionamentos às suas opiniões. 

Um burro sempre se nega seguir a regra do jogo, opta pelo irracional mesmo que fira ou cause danos a outrem, e por isso mesmo trata-se de uma doença genética com características  patológicas histriônicas da inconsequência e que apesar de cura (difícil) é contagiosa.

Parafraseando Renan, “a burrice é infinita”; J. Watson (DNA), cientista inglês, “a burrice é uma doença genética, que tem cura”. Já para S.T Dantas, jornalista: “Ao contrário da inteligência, que não é contagiosa, burrice pega”.

Artigo

A vingança da natureza promete ser terrível!

As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta

06/11/2026 07h30

A vingança da natureza promete ser terrível!

A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Aversão à vigilância da atividade policial

Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas

06/11/2026 07h20

Aversão à vigilância da atividade policial

Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).