No primeiro dia de setembro senti-me como as crianças no dia de Natal, que saem às ruas para brincar com seus brinquedos novos. No meu caso, era a sensação de dever cumprido, afinal o lulopetismo tinha recebido o golpe mortal.
Pensei logo no Moro e no Gilmar que poderão sair de férias porque a partir de agora não haverá mais investigações sobre as propinas, uma vez que Jucá e Temer estão blindados e acima de qualquer suspeita. Também não precisarão mais esconder suas cores partidárias, pois são agora da situação, pelo menos por enquanto.
Imaginei a vida da turma da Globo News, porque não o Wack, a Loprette e a Catanhede, que torciam por um país melhor e agora ficarão livres para torcer pela vitória do nosso Trump.
E a Fiesp e a Febraban? Economizarão ao não patrocinar os manifestantes da Paulista e da Atlantica! Quanto a nós, enfim poderemos viajar de avião sem tumultos e filas causadas pelos pobretões da classe “C” indo para Miami. Tudo muito tranquilo! Nossos médicos poderão trabalhar no Oiapoque no lugar daqueles médicos cubanos inexperientes e exploradores fujões, oriundos de um país antidemocrático, próximo de Guantánamo, lugar onde se respeita os direitos individuais.
Não mais aliviaremos as dívidas dos africanos, nem construiremos portos ou financiaremos a exploração de gás desses países “indígenas comunistas bolivarianos”, e poderemos impedir essa invasão de haitianos que roubam os empregos dos nossos irmãos. Até que enfim teremos um governo meritocrata, onde não haverá distribuição de cargos e os “doutores” serão finalmente reconhecidos, privilegiados e aproveitados na administração pelas suas sapiências e essa mudança de mentalidade.
Poderei sair às ruas pensando livremente como os Aécios, Aluísios e Caios (meus ilibados ídolos), falando como Caiados e Teixeiras, emitir proposições duras como os Bolsonaros, “arrebicadas” como as dos Magnos, e opiniões como a dos panguás, tudo sem o policiamento doutrinário comunista dos vermelhos.
Sei que a recuperação da economia é uma questão de tempo. A lava jato terminará. Os empreiteiros voltarão e os acordos de leniência serão assinados; o TCU liberará as obras paralisadas, aceitarão os aditamentos dos contratos, e as delações premiadas serão negociadas, e o nível de emprego voltará a crescer, onde os trabalhadores poderão fazer contratos patronais de trabalho alheios à rígida legislação atual.
Os professores das federais não precisarão mais reivindicar aumento salarial, pois as universidades serão privatizadas e suas aposentadorias especiais, “direitos adquiridos”, certamente ninguém as mudará, da mesma forma, as demais aposentadorias que ficarão desvinculadas do salário mínimo, sem a necessidade de correção, pois a inflação será reduzida.
Confesso algumas decepções, como a do fatiamento da votação permitindo à ré seus direitos políticos intactos aplacando a minha raiva, a minha vingança e o meu ódio, embora tenha se tornado uma jurisprudência quanto ao impedimento do meu ídolo Cunha. A liberdade daquele operário nordestino que teima em dizer que não é dono dos imóveis e que ganha fazendo palestras sem ter nada para dizer, e que poderá voltar, já que o Temer será um bom cabo eleitoral, me preocupa.
O pré-sal, quem precisa dele? Poderá ser vendido como os aquíferos, Angra, e a Petrobras, afinal já vivenciamos esse desejo de privatização há 17 anos!
Fico apreensivo porque caso esse governo não vingue, não teremos mais trabalhadores do nosso lado e os partidos alijados do novo governo se aliarão aos políticos remanescentes do PT; mas contente porque os articulistas dessa coluna poderão escrever crônicas do cotidiano e não mais precisarão se repetir sobre o “lulopetismo”. Como é bom ter a sensação do dever cumprido!
PS: O Papa Francisco deverá ser informado pelo nosso “Cerra” que o Pais não “vive um momento triste”, e que as manifestações públicas os últimos dias, não passam de uns poucos arruaceiros.