O PSDB - partido do Governo - terá de se esforçar para, a muito custo, eleger sua candidata na Capital. Algo que exigirá sangue, suor e lágrimas.
O resultado de mais uma eleição serve como lição e motivo para reflexão aos políticos. Em Campo Grande, brancos e nulos somaram 53.636 e as abstenções chegaram a 114.286. Sinal do descrédito geral dos eleitores em relação à política. Esses votos poderiam fazer a diferença no pleito, que já foi atípico pelo fato de ter 15 candidatos na disputa na Capital. O novo prefeito será conhecido no dia 30 de outubro. Marquinhos Trad (PSD) teve a preferência de 34,57% dos campo-grandenses, enquanto Rose Modesto (PSDB) ficou com 26,62%, percentual muito próximo de Alcides Bernal, com 26,01%.
Tudo indica que os eleitores que votaram em Bernal serão decisivos para a definição desse embate no segundo turno. E, neste cenário, a tendência é que Marquinhos possa ser favorecido, por motivos que vão além do fato de já contar com a preferência da maioria. Rose, como todos sabem, votou pela cassação do mandato de Bernal em 2013. Aliou-se a Gilmar Olarte, que assumiu temporariamente a administração municipal até que decisão judicial definiu pelo retorno de Bernal ao cargo. Olarte, preso recentemente em investigação que apura crime dfe lavagem de dinheiro é encarado como inimigo, na visão daqueles que são favoráveis a Bernal. Então, seria no mínimo incoerente apoiar seus aliados. Talvez por isso, Rose já tenha discursado que irá correr atrás dos indecisos, desdenhando os eleitores de Bernal.
Além disso, essa eleição teve todo o “enredo” das denúncias da Coffee Break, que investiga esquema para compra e venda de votos do mandato de Bernal, envolvendo vereadores. Por mais que o caso ainda não tenha avançado na Justiça, pode ter contribuído para esse desgaste na política. Como um dos efeitos, tem-se a considerável renovação na Câmara de Vereadores - com apenas 11 dos 29 reeleitos. Ficaram fora da escolha, inclusive, políticos que já tinham mandato há anos. Até mesmo o líder de votos será novato na Casa de Leis.
O pleito teve surpresas e frustrações. O segundo turno entre Marquinhos e Rose já era apontado por pesquisas, conforme apontado, por exemplo, no Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul (Ipems) na edição de ontem do Correio do Estado. O crescimento de Bernal também apareceu no levantamento, mas, nas urnas, ficou acima do esperado. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) poderia ter enfrentado “desgraça maior” caso Bernal tivesse apenas 2.611 votos a mais - considerando a diferença entre Rose e o atual prefeito da cidade. Os tucanos já foram derrotados em Dourados, onde Délia Razuk (PR) foi escolhida com 39,82% dos votos, derrotando Geraldo Resende (PSDB).
Agora, o PSDB - partido do Governo - terá de se esforçar para, a muito custo, eleger sua candidata em Campo Grande. Algo que exigirá suor, sangue e lágrimas. Os eleitores, certamente, esperam contar com campanha baseada em propostas exequíveis, sabendo das dificuldades que a cidade enfrenta, seja pela crise econômica nacional, pela estagnação de investimentos ou projetos e obras que foram abandonados nos últimos anos. Há muito trabalho pela frente e essa disputa pelos votos jamais deverá ser amparada em mentiras ou acusações. Os eleitores já deram seus sinais de advertência e mostraram que querem seriedade na política. Esses apelos demonstrados pelos votos não podem ser ignorados.