A partir da difusão das mídias sociais, foi surgindo, dentro das superficialidades dos sites de relacionamentos, a falsidade. Com intenção de se proteger no anonimato por conta de criar constrangimentos a outrem, destilar ódios, exacerbar preconceitos, disseminar discórdias, fomentar discriminações, internautas mal-intencionados mascaram seus perfis, falsos, com identidade indefinida, hoje recebendo a denominação de “fakes” (falso em inglês).
Da mesma maneira, a mídia social se rendeu aos “virais”, deixando o filtro sobre a veracidade das informações por conta daquele que as recebe. É um termo derivado da palavra vírus, cuja progressão e o desenvolvimento se dão inconscientemente pela divulgação de conteúdos, por vezes falsos, ou de intenções duvidosas, entre os usuários de blogs e redes sociais, ganhando uma repercussão inesperada. A prática se aplica também à divulgação de conteúdos diversos, como anúncios, promoções, informes, piadas, vista a aceitação, a rapidez e a “replicação” dos assuntos, sempre com origens indefinidas.
Ainda temos os “memes” – cujo termo se refere ao fenômeno da “viralização” de uma informação (vídeo, imagem, frase, ideia, música, mensagens), tornando-a popular, aceita rapidamente e repassada instantaneamente entre os usuários da web –, com a capacidade de se reproduzir aos milhões e que podem também ser caracterizados como “virais”, conteúdos sem a marca da verdade.
A origem de tais atividades conceituais, com as mesmas características de declarações falsas, fabricadas, inverossímeis, questionáveis, apresentadas sem provas, dá-se com os factoides. O termo se refere à divulgação de fatos insignificantes, ou até então desconhecidos, que, sem a possibilidade de comprovação imediata, tornam-se aceitos como fatos. Uma informação repetida inúmeras vezes passa pelo condão da verdade, principalmente se avalizada por entes de renome (organizações, sociedades, formadores de opinião, celebridades, mídia engajada), mesmo que se trate de uma superficialidade.
Factoides vão além de fofocas – ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia – porque versam sobre um realismo delirante, que nos impede de distinguir um fato verdadeiramente ocorrido de uma criação ou fantasia construída por interesses escusos, cujo objetivo visa embotar a mente daqueles que inebriadamente se veem envolvidos por cenas falsamente construídas que vêm ao encontro dos anseios e da necessidade de autoafirmação de suas opiniões.
Essa autoafirmação se revela pelos usuários das redes sociais que têm a necessidade de convencer seus iguais a partir de fatos dos quais eles não estão suficientemente convencidos, lançando mão de artifícios falsos ou falaciosos com a intenção de receberem a contrainformação favorável às suas necessidades.
O cenário político tem sido alvo de uma fábrica de notícias falsas, que ardilosamente são midiatizadas e se reproduziram como monstros virtuais capazes de entreter e dar ferramentas aos pobres de espírito, como: o sumiço da faixa presidencial, a guarda das “joias da coroa”, impedimento previsto na Constituição, “conduções premiadas e delações coercitivas”, vazamentos telefônicos e nos banheiros de ministros, imóveis comprovadamente não comprovados, financiamentos ideológicos bolivarianos, deserção de médicos cubanos, queda de ações da Petrobras, filho de ex-presidente dono de frigorífico, senadores visitantes impedidos de circularem na Venezuela, divulgação de delações sigilosas, mais uma prisão do “mesmo marqueteiro” e outra propina para o “mesmo tesoureiro”. Essas são algumas das notícias que continuam “webcirculando”.
Esse comportamento resulta da baixa autoestima e da necessidade de atenção caracterizada pela imaturidade mental no enfrentamento de frustrações ou críticas, passando a aceitar a mentira ao interpretar a realidade de modo distorcido, como se verdade fosse, ou se deixando envolver com os interesses escusos de quem produz tais ignomínias.
Quanto aos debiloides? Continuarão por aí, cumprindo a missão ingênua que lhes foi atribuída pelos espertos de ocasião. Continuarão acreditando nos “fakes”, “memes”, “virais” e factoides, reproduzindo, replicando, inventando. Quando muito, nos intervalos, estarão caçando Pokémon, talvez treinando para defender o País dessa invasão das figuras virtuais por meio de notícias fictícias.