Há necessidade de ampliar a agenda de comemorações, com eventos em outros dias da semana e incluindo os municípios do interior.
Há exatos 39 anos, Mato Grosso do Sul amanheceu em festa, com a concretização da divisão do Estado. Naquela data, 50 mil pessoas concentravam-se, com bandeiras, faixas e música nas ruas da região central de Campo Grande. As comemorações incluíram alvorada festiva, desfile e passeata. A noite acabou com carnaval de rua, fanfarras e seis mil fogos de artifício.
Os relatos históricos, registrados inclusive nas páginas do Correio do Estado, mostram como os moradores recepcionaram esse fato, que traria significativas mudanças políticas e econômicas no cotidiano de todos, as quais vivenciamos atualmente. Toda essa empolgação reflete enorme contraste com o vazio que, historicamente, vem marcando os anos de comemoração dessa data.
Nesse tempo todo, ainda não foi possível consolidar uma agenda tradicional de eventos para marcar o aniversário do Estado - algo que poderia envolver estudantes ea comunidade em geral. Neste ano, ao menos, há um diferencial para maior valorização do dia. No Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, haverá show, gratuito, em homenagem ao músico Geraldo Roca, compositor de “Trem do Pantanal”.
Ele faleceu há dez meses. Suas composições serão interpretadas por vários músicos influenciados por suas obras. O Grupo Acaba - bastante tradicional e que completou 50 anos mês passado - também irá se apresentar hoje.
Fica a sensação, ainda, da necessidade de ampliar essa agenda, com eventos até mesmo em outros dias da semana e incluindo também os municípios do interior. Possibilidades não faltam. Afinal, é de uma comemoração relacionada a todo Estado a que estamos no referindo. É o que acontece nos aniversários das cidades. Campo Grande promove tradicionalmente seu desfile, reunindo milhares de crianças e jovens na Rua 14 de Julho. Há envolvimento direto e, por meio dessas atividades, aspectos históricos e culturais são resgatados e valorizados.
O mesmo ocorre em muitos outros municípios, em eventos organizados pelas prefeituras. Até mesmo, em alguns casos, é programada agenda de inaugurações de obras ou lançamentos que representam presente à comunidade. Organização que não ocorre quando se trata de Mato Grosso do Sul.
Em muitas escolas, a data não é sequer trabalhada em atividades com os alunos, algo que seria essencial para evitar que não caia no esquecimento ou torne-se apenas um feriado a mais no calendário. Por muitos, infelizmente, as datas são lembradas apenas como a “semana do saco cheio”, justamente pela emenda de “folgas”. As iniciativas existentes dependem exclusivamente de cada professor. Não há um planejamento conjunto, que envolva o poder público.
É preciso ir além, investir nesta formação, de cidadãos preocupados em conhecer todo esse processo de luta, que começou a ser debatido ainda 80 anos antes da oficialização da divisão, com assinatura da Lei Complementar número 31. Esse “esquecimento” ou até mesmo despreocupação não é responsabilidade dessa gestão.
Por vários anos, a data não vem recebendo a atenção que merece pelos seus governantes.
Busca-se constantemente reafirmar a identidade de Mato Grosso do Sul, evitando, por exemplo, as frequentes confusões com o nome do vizinho, Mato Grosso. Hoje, essa referência já está bem mais consolidade, mas é essencial promover iniciativas para valorização. Ainda é tempo de, nos próximos anos, retomar as comemorações, com a grandiosidade merecida.