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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quinta-feira: "O preço que se paga"

Editorial desta quinta-feira: "O preço que se paga"

Redação

13/10/2016 - 03h00
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É urgente o aperfeiçoamento dos alicerces do transporte urbano para que um dia, futuramente, o sistema coletivo seja a opção mais rápida e segura...

No próximo mês, está prevista a divulgação de um valor muito aguardado por centenas de pessoas em Campo Grande: a nova tarifa do transporte coletivo. Para a população, independentemente do porcentual de reajuste a  ser estabelecido,  sempre fica impressão de que o investimento do serviço é aquém do que seria minimamente considerado razoável. As reclamações são constantes na maioria das cidades do País e, muitas vezes, a raiz do problema é o mesma: o crescimento desordenado e a falta de planejamento urbano prejudicam de maneira recorrente o lado mais fraco.

Na negociação, o consórcio responsável pelo serviço na Capital, formado pelas viação  Campo Grande, Cidade Morena, São Francisco e Jaguar Transporte Urbano, apresenta planilha de custos justificando o valor pretendido. São várias páginas contendo cálculos herméticos que dificilmente um leigo conseguiria traduzir e simplificar para quem quisesse entender o porcentual solicitado de reajuste. Cabe à prefeitura, por meio da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agereg) fazer estudos, discutir e chegar a denominador comum, autorizando o que seria considerado razoável para usuários e empresários do setor. 

É claro, via de regra, ninguém gosta de pagar mais caro por algum serviço ou produto, salvo se o que é oferecido é condizente com o valor desembolsado. A reportagem de hoje do Correio do Estado mostra exatamente este problema: a contradição de se cobrar uma das tarifas mais caras do País, R$ 3,25, e fornecer sistema deficiente de transporte com veículos de qualidade questionável. Além do relato de atrasos, há também reclamação sobre os ônibus superlotados ou que constantemente quebram durante percurso.

Em relação a problemas mecânicos, não se pode responsabilizar somente o consórcio: as condições das ruas de Campo Grande, há muito tempo, deixam a desejar e contribuem para piorar o que já é ruim. Porém, as empresas do setor e a administração pública precisam reavaliar o sistema de transporte coletivo. Quando se fala do tema, não se trata apenas dos meios de transportes utilizados, mas de questões que incluem a mobilidade urbana e a infraestrutura existente, como os terminais de transbordo, por exemplo. Infelizmente, no Brasil, o transporte coletivo foi historicamente delegado a segundo plano, já que foi muito mais interessante promover o desenvolvimento industrial, priorizando o setor automobilístico e o conceito de status e ascensão social que advém da aquisição de veículo.

É urgente o aperfeiçoamento dos alicerces do transporte urbano para que um dia, futuramente, o sistema coletivo seja a opção mais rápida e segura, sendo priorizada até em detrimento ao uso de carros particulares. 

Trata-se de mecanismo de desenvolvimento econômico, justiça social e eficiência de cidades modernas que podem ter contribuição em cadeia, influenciando na redução da poluição ambiental, congestionamentos e até índices de acidentes. Porém, estamos tão atrasados neste debate que só de poder sentar em ônibus com assentos confortáveis, sem sentir-se em um container carregado e chegando ao destino no horário certo já é um alento.

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