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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Respostas obrigatórias"

Confira o editorial desta terça-feira: "Respostas obrigatórias"

Redação

01/11/2016 - 03h00
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O diálogo divulgado essa semana sobre suposta fraude na folha de ponto tornou-se motivo a mais para iniciar as investigações.

Deputados estaduais têm obrigação de agir com transparência e divulgar relação de funcionários nomeados que compõem hoje quadro de pessoal da Assembleia Legislativa. Trata-se de exigência que, há muito tempo, deveria estar sendo cumprida, mas tornou-se indispensável diante de graves denúncias feitas nos últimos dias. Gravação mostra o deputado estadual Paulo Corrêa (PR) orientando o colega Felipe Orro (PSDB) a fraudar a folha de ponto dos servidores para encobrir irregularidades. O teor do diálogo é espantoso e foi divulgado justamente no momento em que está em discussão abertura da CPI Caça-Fantasma. 

Corrêa faz a seguinte afirmação à Orro: “(...) Põe um controle de ponto. Mesmo que seja fictício, do começo do ano até agora, pega o seu chefe de gabinete e manda agir”. Nesse mesmo diálogo, ele diz que os dois têm bastante servidores e, por isso, precisam se precaver contra eventual matéria que estaria sendo produzida pela Rede Globo. A gravação foi feita ainda na metade do ano passado, mas só agora a denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Estadual. Independente do tempo, a investigação é indispensável. Hoje, muitos dados relativos a pessoal contratado na Assembleia permanecem na “caixa-preta”. Pelo que se sabe, são 1.073 servidores, média de 44 por deputado - quantidade surpreendente se considerarmos a capacidade física dos gabinetes.    

    As eleições municipais terminaram e deixaram pendentes questionamentos que precisam ser respondidos pelos deputados estaduais. Adversários levantaram suspeitas de que Marquinhos Trad (PSD), eleito no domingo prefeito de Campo Grande, teria sido “fantasma” da Assembleia no ano de 1986, quando foi nomeado no gabinete de seu pai, Nelson Trad, que na época era deputado estadual. Ele negou as acusações, apresentou documentos e propôs a criação da CPI para eximir dúvidas, incluindo na apuração todos os 24 deputados estaduais. Pela proposta, a Comissão iria investigar inclusive, casos de nepotismo cruzado com outras instituições.

No “calor” da campanha - marcada por baixaria, acusações e até ofensas - foram obtidas assinaturas suficientes para iniciar a apuração. Espera-se que as decisões não tenham sido apenas  amparadas por critérios políticos, para evitar desgaste em momento decisivo. A investigação deve prosseguir e motivos não faltam. 

O diálogo divulgado essa semana sobre suposta fraude na folha de ponto tornou-se motivo a mais para iniciar as investigações. A população tem direito a respostas e esclarecimentos.

 Inaceitável o silêncio de Paulo Corrêa. Orro limitou-se a dar resposta vaga, por meio de nota, de que “ajustes no controle de frequência são feitos para atender a demanda de transparência”. Também por nota, o presidente da Casa de Leis, Júnior Mochi (PMDB), disse que a Assembleia tem compromisso com a verdade e com transparência. É preciso provar essa frase na prática. Evoluções ocorreram, como abertura de concurso pela primeira vez na história, mas não são suficientes. 

Pela lei, todas as informações já deveriam estar acessíveis a qualquer cidadão, mas a lisura ainda impera apenas no discurso e, por isso, a CPI torna-se importantíssima. Deputados estaduais têm obrigação de dar respostas à população. As denúncias ignoradas e informações omitidas podem macular a imagem e credibilidade de todos. 
 

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