As dificuldades são muitas, a falta de demanda no mercado é um problema e há poucos negócios e muito menos dinheiro em circulação.
A retomada do crescimento no Brasil e em Mato Grosso do Sul demandará muita perseverança e otimismo por parte das pessoas. Será preciso muita resiliência e vontade de encarar pesquisas e levantamentos pelo “lado bom”, para que os dias melhores cheguem logo. Por enquanto, os consumidores e empresários vão vivendo um choque de realidade, com números desanimadores, mesclados por notícias que inspiram um 2017 melhor.
Levantamento do Correio do Estado feito com informações da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) indica que o ano de 2016 foi péssimo para se fazer negócio no Estado. O número de fechamento de empresas, entre os meses de janeiro e outubro, superou toda a quantidade verificada em 2015, ano que já foi prejudicado pela crise, que tem insistido em permanecer. O encerramento de atividades empresariais é 28% maior neste ano, conforme publicado em reportagem nesta edição.
Para piorar o cenário constatado pela Jucems, como se não bastasse o aumento no fechamento de empresas, a abertura delas nunca esteve tão em baixa. O mês de outubro foi o pior neste quesito desde 2015. Comparado com os últimos anos, para quem quer empreender, parece nunca ter sido tão difícil como agora.
As dificuldades vão muito além das reclamações usuais de quem tem negócio no Brasil, como, por exemplo, sobre a alta carga tributária. O problema maior é mesmo a falta de demanda. Há poucos negócios, porque praticamente não há dinheiro em circulação. Como tudo que está ruim ainda pode ficar um pouco pior, a inflação, que sobe mês a mês, pressiona ainda mais os que sobrevivem no mundo empresarial.
A baixa liquidez da economia, cenário típico de recessão como o que vivemos, tem como maior exemplo a corrida por dinheiro. Todos querem e poucos têm. Os governos, por exemplo, tentam uma última cartada, neste fim de ano, para melhorar seus caixas. Enquanto a Prefeitura de Campo Grande ensaia mais um refinanciamento de dívidas de tributos, como o Imposto Sobre Serviços Prestados de Qualquer Natureza (ISSQN) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o governo do Estado deu início à cobrança de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 253,2 mil veículos. A expectativa é de arrecadar até R$ 136 milhões. Volume de recursos que seria muito bem-vindo nesta época do ano.
O grande problema dessas cobranças de impostos para fazer caixa é, justamente, a origem dele: a falta de dinheiro em circulação na praça. Serão poucos os que terão oportunidade de honrar suas dívidas. Comprometendo ainda mais a arrecadação do Estado.
Entre as notícias que servem de alento aos empresários e a quem procura emprego, está o pagamento do 13º salário de servidores das esferas federal, estadual e municipal, além dos da iniciativa privada. Apesar da crise econômica e de todas as dificuldades impostas por ela, esses compromissos serão honrados em dia e devem colocar bilhões de reais em circulação. Volume que impulsiona os ânimos e resgata o otimismo de que 2017 será um ano bem melhor que este.