Plano do Banco do Brasil para desligar centenas de funcionários ocorre numa época em que bancos digitais, sem agências, chegam ao mercado.
O plano de reestruturação do Banco do Brasil apresentado ontem por seu diretor, Paulo Caffarelli, que prevê o fechamento de 402 agência em todo o país e a transformação de mais 379 em postos de atendimento, pode ser encarado de suas formas, a primeira, mais realista, pois trata-se de um sinal de que a crise que atinge a economia brasileira atinge contornos mais sérios. A segunda, mais otimista, indica que o banco tem se adequado aos desafios impostos pela conjuntura atual.
As medidas tomadas pelo presidente da instituição, Paulo Caffarelli, são impactantes. Além do fechamento de centenas de agências, aumento da automação e plataformas digitais, também são previstos até 18 mil desligamentos, por meio de plano de aposentadoria incentivada. O banco espera a redução de 9,3 mil vagas em sua estrutura. Se as adesões aos planos forem superiores a este número, poderá, inclusive, haver novas contratações.
Relatório financeiro do terceiro trimestre deste aos investidores apontava um total de 109.191 funcionários na instituição financeira pública. O Itaú, maior banco privado brasileiro, e que no ano passado registrou lucro líquido de R$ 23,3 bilhões, por exemplo, tem um quadro de aproximadamente 90 mil funcionários. Para se ter uma ideia, em 2015 o lucro líquido do Banco do Brasil foi de R$ 11,2 bilhões.
A adequação do Banco do Brasil aos mesmos padrões de eficiência dos maiores bancos privados poderá ser encarada como um bom sinal no enfrentamento da crise econômica. A instituição bancária estatal, com a medida anunciada ontem, sinaliza ao mercado que irá encarar os desafios impostos pela recessão, com estrutura mais enxuta, e com mais musculatura financeira. Apesar do impacto do anúncio do fechamento de agências, os números mostram que as operações do banco estão com lucro em declínio, mas ainda são altamente superavitárias: no acumulado do ano, o lucro líquido do BB já passa dos R$ 7 bilhões.
Em termos de capacidade de atendimento, o fechamento de quatro agências bancárias em Mato Grosso do Sul, e a transformação de outras quatro em postos de atendimento (veja mais detalhes nesta edição) trará pouco impacto aos clientes em termos de qualidade do serviço. A maioria destas unidades desativadas está muito perto de outra agências.
A reestruturação do Banco do Brasil é, ainda, a face de uma outra moeda: a da digitalização cada vez maior dos serviços bancários. Se os caixas eletrônicos um dia representaram um sinal de modernidade, atualmente esta evolução no atendimento aparece na forma de aplicativos para smartphones e tablets, de onde é possível realizar quase todas as operações, exceto, as de saque e depósito. Bancos inteiramente digitais, como o multinacional Nubank e o brasileiro Original já começam a ganhar espaço.
Como já foi possível perceber na última greve dos bancários, encerrada no início do mês passado, o material humano é cada vez menos necessário na estrutura bancária.