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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Descaso e burocracia"

Confira o editorial desta terça-feira: "Descaso e burocracia"

Redação

29/11/2016 - 03h00
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É preciso mais eficiência na gestão dos pátios dos órgãos de trânsito, que estão superlotados. Só na Capital, há 9,5 mil veículos.

A superlotação dos pátios de quase todas as unidades do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) evidencia alto grau de descaso, tanto por parte das autoridades, quanto pelos proprietários dos veículos apreendidos. Em meio a este problema que se agrava, e sem aparentemente não tem nenhum plano para solucioná-lo, está a burocracia do poder público, e a irresponsabilidade de muitos donos de automóveis e motocicletas.

Reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Estado indica que em 2016, só em Campo Grande, 9,5 mil veículos foram apreendidos pelos órgãos de poder de polícia, como Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e Polícia Militar e levados para a sede do Detran. Destes veículos, apenas 3,9 mil foram devidamente retirados do pátio e liberados por seus proprietários. Para o restante, não houve interesse de seus donos em liberá-los. 

Entre os motivos para o abandono destes carros e motocicletas no Detran está o custo proporcionalmente alto de retirada. Por exemplo, o proprietário de uma motocicleta usada, avaliada em aproximadamente R$ 3 mil, com alguns impostos atrasados. Gastaria R$ 109,50 para retirar o veículo, mais as multas e impostos atrasados, que dificilmente custariam menos de R$ 500. O custo representaria aproximadamente 20% do valor do veículo. O mesmo ocorre com os carros. Só a taxa de estadia de um automóvel que fica no mínimo um mês retido no departamento, é de R$ 512,10.

Como visto, parece não ser interessante para o Estado receber os valores atrasados. Pois para muitos proprietários, as vezes a melhor alternativa é abandonar o carro no órgão de trânsito. Porém, falta responsabilidade a boa parte daqueles que têm carros ou motocicletas. Eles sabem dos riscos por não manter os impostos do veículo e as taxas em dia. Também deveriam conhecer as leis de trânsito, e obedecê-las. Não é o que ocorre. A superlotação dos pátios também resulta desta falta de compromisso e zelo.

Há ainda um terceiro grande problema quando o assunto é superlotação dos pátios do Detran. A falta de proteção oferecida pelo Estado a um bem de terceiro. Não há qualquer preocupação com a segurança dos automóveis apreendidos. Basta estar nas dependências do órgão público, para poder se aproximar destes veículos. Caminho fácil para pessoas com má intenção, que desejam furtar peças automotivas.

A promoção de leilões também não ocorre no mesmo ritmo das apreensões. Conforme a legislação, um veículo pode ser leiloado sessenta dias após sua retenção. O tempo para tentar vender os carros e suas sucatas, porém, é muito maior que este período.

É preciso mais eficiência na gestão dos pátios dos órgãos de trânsito. Melhor controle dos veículos retidos, redução da burocracia, e ações para aumentar a responsabilidade dos proprietários são o caminho.
 

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