Lamentável que, hoje, a coletividade tenha de pagar pela conduta imoral, ilegal ou desleixo dos gestores.
Muitos pagam pelo erro de alguns. Infelizmente, essa discrepância tem ocorrido com bastante frequência em todo País. O exemplo mais contundente está na crise financeira, que castiga todos os brasileiros. Desemprego, empresas fechadas, queda no consumo são algumas das consequências dos graves equívocos na condução da política econômica da gestão de Dilma Rousseff. Os esquemas de corrupção - revelados inclusive pela Lava Jato - também corroboram com essa sensação de injustiça, que permanece. mesmo que punições sejam aplicadas. Em Campo Grande, trabalhadores também enfrentam algumas dessas deletérias incongruências.
A mais evidente está no caso dos funcionários da Sociedade Caritativa e Humanitária (Seleta) e da Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar (Omep). Investigações apontaram a existência de “fantasmas” nas duas entidades, que mantinham há anos convênios milionários com a prefeitura da Capital. O juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, David de Oliveira Gomes Filho, determinou a imediata extinção dos contratos. Assim, todos devem ser demitidos. A prefeitura anunciou, a partir de segunda-feira, encerramento das atividades em Centros de Educação Infantil (Ceinfs), escolas e outros locais que contam com esses profissionais. A medida resultou em protesto na manhã de ontem.
Trabalhadores foram para a Praça Ary Coelho justamente para mostrar que não são fantasmas. Temem, agora, ficar sem receber pelos serviços prestados e a rescisão trabalhista. Punem-se vários pelos erros de alguns. Agrava-se essa questão pelo fato de alunos com exame terem aulas até dia 22. A incerteza também permanece em relação ao próximo ano, pois a administração municipal não consegue contratar quantidade suficiente de profissionais sem extrapolar os limites de gastos com pessoal, previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, tornaria-se inviável manter a quantidade atual de creches. Por anos, gestores optaram pela manobra de terceirizar essas contratações para não estourar o valor da folha de pagamento, baseado na arrecadação. Demoraram a adotar providências e o descontrole só aumentava.
As irregularidades, certamente, precisam ser combatidas, mas penalizando quem verdadeiramente errou. Lamentável que, hoje, a coletividade tenha de pagar pela conduta imoral, ilegal ou desleixo dos gestores. Os campo-grandenses, por exemplo, sofrem os efeitos deletérios da má gestão, com falta de remédios, exames suspensos nos postos de saúde, ruas e avenidas cheias de buracos e obras abandonadas. Isso sem mensurar o rombo nas finanças e possível atraso no pagamento dos salários e décimo terceiro de servidores municipais.
A correção desse quadro de descalabro será demorada e extremamente complicada. É urgente, porém, rever posturas e aprimorar os mecanismos de fiscalização para que providências não demorem tanto. Caso contrário, a “corda” continuará arrebentando sempre do lado mais fraco, como vem ocorrendo.