Banco Central prevê inflação dentro da meta em 2017, o que necessariamente, não significa um acerto da equipe econômica, mas consequência da crise.
Pela primeira vez nos últimos três anos, o Banco Central admite quem em 2017 a inflação no Brasil deve ficar dentro da meta estabelecida pela equipe financeira do governo federal: 4,5% com teto de 6%. Tal projeção, porém, não deve ser encarada como vitória pelo governo e seus gestores, mas sim como efeito contundente da recessão.
A queda de demanda causada pela crise tem feito com que a população - boa parte dela desempregada - consuma menos. Com vendas em baixa, a pressão para aumento de preços ao consumidor é atenuada e os valores tendem a menor variação. Problema para comerciantes e indústria e governos. Com menos dinheiro circulando, todos perdem: há menos geração de renda, queda no trânsito de mercadorias e, por consequência, redução na arrecadação com impostos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho, apontam agravamento da crise econômica na região Nordeste, que até 2014 ainda resistia à recessão, quando estados do Sul e Sudeste já apresentavam índices negativos. Agora, o que se percebe é que a região que historicamente sempre teve mais problemas estruturais e sociais, afundou no último ano. Por lá, o índice de desemprego é de 14,1%, enquanto a média nacional é de 11,8% e na Região Centro-Oeste, 10% da população está sem ocupação formal.
O mesmo se aplica no que diz respeito à renda do trabalho. Na região Nordeste, houve queda de 3,9%, e no Centro-Oeste, por exemplo, a queda foi pouco mais amena: 1,8%. Em todo o país, o rendimento mensal do trabalhador caiu 2,1%.
O impacto da recessão também atinge em cheio os nordestinos. A queda no crescimento foi de 5,8%, enquanto em todo o Brasil, o recuo econômico foi de 5,1%. Na região Centro-Oeste, a situação também não é das melhores: redução de -4%.
As projeções inflacionárias apresentadas ontem pelo Banco Central em seu boletim focus, e os números regionais do desempenho da economia brasileira, por mais duros que sejam, podem ainda gerar certo otimismo, ainda que acidentalmente. Quando se está no fundo do poço, como o País se encontra, não há outra direção que não seja a subida.
No próximo ano, o governo federal terá de se esforçar para colocar mais dinheiro em circulação. Existem vários mecanismos: incentivo a abertura de crédito em bancos públicos e privados; queda nos juros, que pode ocorrer caso a atividade econômica continue em declínio; e investimento estrangeiro, este, altamente dependente da estabilidade política para voltar a fazer diferença. Resta saber, se as autoridades econômicas têm alguma carta na manga. Aparentemente, todas os recursos para aumentar a liquidez já foram utilizados.