Otimismo, perseverança e fé em dias melhores. Sentimentos que precisam ser renovados, ainda mais depois de um 2016 catastrófico, marcado por escândalos políticos, recessão econômica e desemprego. É importante, porém, manter a dose necessária de realismo sobre as dificuldades que ainda precisarão ser enfrentadas. Na campanha eleitoral, candidatos esmeraram-se em promessas, muitas delas inexequíveis. Saem, agora, desse mundo utópico. Ontem, prefeitos tomaram posse e precisarão encarar temores e frustrações em 2017. Conter gastos será inevitável. Investimentos têm de ser protelados até que as urgências negligenciadas sejam atendidas.
Marcos Trad, prefeito eleito de Campo Grande, exaltou pedidos de paciência e confiança durante seu discurso, ontem. Pediu ajuda a Deus, mas sabe que não poderá contar com milagres. Falou da situação complexa, “de erros e equívocos, resultantes de avaliações políticas pouco racionais, que foram se somando, levando ao quadro de cidade destruída, desaparelhada, falida financeiramente”. Ponderou que seria insensato e imprudente resolver tudo em curto espaço de tempo. Um discurso sem muita empolgação. Anteriormente, já tinha elencado algumas das batalhas que precisaria encarar para tentar, ao menos, minimizar o caos em que a cidade se encontra e afirmou a necessidade de mais 12 a 14 meses para arrumar a casa.
Melhores expectativas ficam para 2018, quando a cidade poderá, enfim, sair do coma. Assim, espera-se. Trad terá de negociar pagamentos em atraso com fornecedores e prestadores de serviço, para evitar suspensões em setores considerados essenciais na cidade. Pode pedir mais prazo para quitar as pendências e tentar deságio de até 50% no caso de negociações à vista. Infelizmente, já há enorme saldo contabilizado nessa malfadada herança. Postos de saúde sem medicamentos, exames suspensos por falta de materiais e ruas intransitáveis, com quantidade absurda de buracos. Também estão pendentes parte do décimo terceiro salário e a folha salarial de dezembro dos servidores municipais. Além disso, há o impasse dos funcionários da Omep e Seleta, demitidos sem receber direitos trabalhistas e comprometendo serviços essenciais. Sufoco! Isso tudo sem dinheiro suficiente.
Neste momento, a expectativa é contar, ao menos, com gestão que dê conta de “fazer o arroz e feijão”, garantindo o básico aos moradores. Algo que não vem ocorrendo em Campo Grande. A crise e o descontrole de gastos públicos transformaram em motivos de comemoração as obrigações cumpridas por prefeitos ou governadores. É preciso retomar o crescimento, exigindo os investimentos como contrapartida da alta carga tributária, indo além do essencial.
Por enquanto, o cenário nos aponta indícios de condições para retomada da economia, mesmo que ainda tenhamos pela frente mais alguns meses de percalços. O País ainda terá crises políticas até aprovação de todas as reformas. Em Campo Grande, há lista enorme de problemas a serem resolvidos e contas acumuladas. Incertezas permanecem. A vontade de virar a página das dificuldades de 2016 deve servir de estímulo para buscar soluções e evitar repetição de tantos erros.