É imprescindível iniciar longo processo de planejamento para o futuro da cidade, em consonância com o Plano Diretor.
A paralisação de investimentos, principalmente no setor de infraestrutura, torna-se problema ainda mais crítico durante a temporada de chuvas. Nesta semana, os campo-grandenses voltaram a enfrentar alagamentos em ruas, enxurrada invadindo casas e risco de desabamento às margens de córregos. O pior nesse cenário é a falta de perspectivas para soluções. Por enquanto, não há qualquer planejamento. As obras de contenção de enchentes foram completamente esquecidas nos últimos quatro anos. A cidade cresceu, mas as intervenções não acompanharam esse mesmo ritmo.
Os moradores estão fadados a conviver com esse drama ainda por longo tempo. Terão de contar com a sorte para não serem surpreendidos pelas forças das águas, como ocorreu nessa semana nas proximidades da Praça Itanhangá, quando condutor precisou até se abrigar em cima de veículo. Anos de negligência culminaram nesse problema. A capacidade dos córregos tornou-se insuficiente para conter a quantidade de chuva. As obras feitas até agora foram consideradas insuficientes e, em alguns casos, a eficiência pode até ser questionada. Na região do Prosa, ao longo da Avenida Fernando Corrêa da Costa, por exemplo, os bancos de areia instalados às margens estão desmoronando em diferentes trechos. Situação perigosa, que pode se agravar.
É importante tomar providências antes de consequências que poderão ser calamitosas, como ocorre com avanço da erosão ao longo da Avenida Ernesto Geisel, às margens do Rio Anhanduí. Agora, decisão judicial determina que a prefeitura inicie as obras ainda em março para recuperar ao menos os trechos mais críticos. Por enquanto, resume-se a essa revitalização o único planejamento da prefeitura para amenizar os danos causados pelas enchentes. A expectativa do secretário de Infraestrutura, Rudi Fiorese, é aumentar a vasão no Anhanduí e, consequentemente, diminuir a cheia nos demais córregos, que descem justamente para este ponto. Sabe-se que será apenas a medida inicial de uma série de intervenções necessárias.
A atual administração recém está iniciando os trabalhos e, por enquanto, aposta em ações emergenciais para promover a manutenção, que não estava sendo feita. Limpeza dos córregos e de bueiros estão inclusas nessa tarefa básica. Jamais serão suficientes para conter os problemas crônicas que estão sendo enfrentados nos dias de intensa precipitação. A rotatória da Avenida Rachid Neder, a rua Chaadi Scaff com Avenida Joaquim Murtinho, ruas dos bairros Santo Antônio estão entre alguns locais que merecem atenção urgente.
É imprescindível iniciar longo processo de planejamento para o futuro da cidade, em consonância com o Plano Diretor, que precisa ser cuidadosamente elaborado.
O que inclui até mesmo cuidados importantes no cotidiano, a exemplo da regularização das calçadas, cumprindo a exigência do espaço para absorção da água, ou rigor para cobrar que as construções atendam a regra de contar com sistemas que auxiliem nessa captação. A tendência é que os prejuízos tornem-se ainda maiores e intermináveis, caso a inércia permaneça.