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OPINIÃO

Ernesto Caruso: "No fio da navalha"

Militar reformado

Redação

25/03/2017 - 01h00
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Triste sina compartilhar os momentos atuais da nação brasileira a viver a apreensão dos “jogos” radicais do tipo roleta-russa, protagonizados por agentes públicos e empresários. 

A todo momento uma notícia agride o cidadão pagador dos tributos, confiante no retorno em bens e serviços, mas o que recebe é bofetada na cara. Uma agonia viver sob o domínio do malfeitor, ora representado pelo político que legisla em causa própria, somando benefícios no seu contracheque, acrescidos de gastos falsos ou para favorecer terceiros a troco de propina; ora pelo empresário ambicioso e criminoso que rouba no peso e na qualidade do produto que vende, com auxílio do agente público, este também criminoso e canalha, pois, como fiscal, representa o consumidor que lhe paga o salário e que mantém a empresa viva.

Fiscal que, por vez, inspeciona não para corrigir e multar, mas como vil personagem, para pressionar e ganhar um “por fora”, pouco se importando se aquele produto vai produzir doença ou se a obra fora dos padrões vai provocar mortes ou mutilações; se a construção das estradas é de “asfalto podre”, ou até na sua utilização por veículos acima da tonelagem permitida. Agentes bandidos antes, na licitação, durante a execução e, depois, na utilização.

Várias facetas da corrupção, aguçadas pela Operação Carne Fraca, que simboliza o cotidiano das escutas telefônicas envolvendo atores e autores de crimes e cenas repugnantes, recheadas com a disseminação da libertinagem e decisões polêmicas que afrontam as famílias e os costumes; batem e rebatem como se o cidadão precisasse desse “aquecimento” para ser malhado e moldado como ferro submetido ao forno, fole e bigorna.

Matriz de transformações que atravessam oceanos e ecoam por todas as vias, inoculando vícios como se não o fossem; verdadeiro malabarismo para demonstrar que não são, ou são tão iguais a outros na prática legal.

Tudo junto e misturado, liberação da maconha, soltura do goleiro criminoso, prisão domiciliar para ex-primeira-“dama”, homem (homossexual) querendo usar, por opção, sanitário feminino, o fantástico mundo infantil impregnado de sexualidade, conluio na reforma política com voto em lista fechada e prevalência do foro privilegiado, conturbada e mal explicada reforma da Previdência, depoimento do Lula em juízo que não sabe quanto ganha.

O ministro do STF Luís Barroso fez manchete ao defender a legalização da maconha e da cocaína contra a crise penitenciária. O ministro Marco Aurélio, da mesma Corte, soltou o Bruno porque o pobre coitado estava preso há alguns anos sem o julgamento no Tribunal próprio. Ora, quantos estão presos nas mesmas condições, até sem condenação? Tristeza no desdobramento ao se assistir àquela cena das crianças “espontaneamente” aguardando autógrafo do condenado pelo assassinato bárbaro de uma mulher que lhe deu um filho. E a televisão condicionando emoções.

O desassistido povo do Rio de Janeiro deve ter ficado atônito com a notícia: Justiça solta mulher de Sérgio Cabral para cuidar de filhos de 10 e 14 anos (já revogada). Quantas crianças da periferia, mas da mesma idade, morreram por falta de assistência médica e ou saneamento básico do Estado falido e surrupiado? Reportagens paralelas demonstraram que mulheres grávidas ficam com seus bebês até seis meses e os entregam a familiares. Uma família tão bem estruturada e rica (!) não teria alguém para cuidar dos filhos da mãe infratora que usa brinco de R$ 1,8 milhão?

Mais lenha na fogueira da insatisfação, do nojo e inconformismo do cidadão. Salários de juízes que extrapolam o teto, se flagrados no crime são aposentados com proventos integrais, aposentadoria de políticos, fatiamento do território por conta das reservas indígenas, anistia do caixa dois, luta de classes...

Que todo esse desrespeito pelas pessoas – eu, tu, ele e nós, com nome e sobrenome, não massa sem identidade, sem personalidade – não se transforme em apatia, comodismo, e sim em reação para fazer prevalecer a vontade de salvar a Operação da Lava Jato e defender o juiz Sergio Moro, que ainda é um fio de esperança de mudança, mas que só vai ocorrer se estivermos presentes nas ruas cada vez mais, sem esmorecer. O dia 26 de março é para isso. Só não vai quem já “morreu” ou “tá nem aí”.

Que o brasileiro possa tomar o café tipo exportação, que pague a gasolina da Petrobras com o valor mais baixo, como vendido no Paraguai, que o etanol seja a prioridade. Que o mercado interno seja respeitado, pois o brasileiro não recebe em dólar. Diga não à lista fechada que é o voto cego no corrupto, sim ao voto distrital. 

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