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Editorial deste domingo: "Desafios aos gestores"

Editorial deste domingo: "Desafios aos gestores"

Redação

09/04/2017 - 03h00
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Só com a mudança de postura política será possível ter reflexos positivos na economia e voltar a falar em ações de desenvolvimento.

A queda na arrecadação causa efeitos nefastos e impõe adoção de medidas amargas pelos gestores municipais. Ao menos 47 municípios do Estado devem ter dificuldades para honrar suas despesas no segundo semestre, conforme projeção da  Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul).

A conta inclui aqueles que têm do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e rateio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como principais fontes de receita. Isso porque, naturalmente, o segundo semestre tende a recolhimento menor, pois impostos e outras taxas entram nos cofres sempre no início do ano.

O momento exige precaução e planejamento para garantir pagamento da folha salarial, fornecedores e até mesmo promover investimentos que a população anseia.

Os números apresentados em reportagem na edição de hoje, detalhando principalmente a queda no repasse FPM, expõem a complexidade da tarefa dos gestores.

Dificuldade que precisará ser encarada como desafio a ser superado. Infelizmente, as soluções encontradas acabam resultando em outros problemas.

A demissão de funcionários comissionados agrava os índices de desemprego nas cidades e, consequentemente, outros setores sentem esse reflexo. Comércio é apenas um dos impactados, diante da queda no consumo. Soma-se ainda o risco do aumento do endividamento, inclusive com tributos municipais.

Esse cenário não se limita a Mato Grosso do Sul. Lamentavelmente, as denúncias frequentes de corrupção envolvendo políticos dos mais diferentes partidos acabam desanimando e dificultando as chances de recuperação da confiança, essencial para atrair investimentos.

Por isso, sem dúvida, agir com transparência será essencial nesse processo para retomada da credibilidade. É preciso reiventar, buscar parcerias com a iniciativa privada e, assim, assegurar oportunidades de emprego. A arrecadação será consequência imediata dessas medidas.

Há sinais positivos que contrapõem as mazelas esperadas para o segundo semestres. O Banco Central divulgou expectativa de queda na inflação e na taxa de juros.

A consequência pode estar na busca por financiamentos para assegurar novos investimentos, aquecendo a construção civil, o mercado imobiliário e o ramo industrial como um todo. Não há garantias, porém, que não ocorrerão entraves nesse longo caminho de retomada. A instabilidade política, decorrente de denúncias ou processos aguardando julgamento, configuram o principal obstáculo às reações do mercado.

Gestores precisarão trabalhar com planejamento para os períodos de receitas escassas. Deverão mostrar que, de fato, estão cortando despesas, evitando os recorrentes casos de apadrinhamento político, contratos suspeitos ou aditivos inexplicáveis que costumam se repetir em diferentes administrações. Só com a mudança de postura política será possível ter reflexos positivos na economia e voltar a falar em ações de desenvolvimento.

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