Os gestos revelam os sentimentos do coração, revelam os projetos de vida e os projetos da razão. Nem sempre conseguem satisfazer as necessidades de quem se encontra em busca de explicações a respeito dos anseios de felicidade.
Estamos a caminho. E pelo caminho, muitos acontecimentos questionam a sensibilidade humana, os anseios de verdades e a busca de certezas a respeito de tantas dúvidas que perpassam a mente humana. É comum encontrar pessoas insatisfeitas com a escolha feita, com a decisão tomada e com a situação criada.
O difícil e triste é quando não há como recomeçar, ou quando se acredita que não haja outras alternativas. É suficiente esse descontentamento para causar uma catástrofe tanto no campo sentimental como no campo da confiança, tanto no campo profissional quanto no campo espiritual. A fé será questionada. O amor será desafiado. E Deus permanecerá uma incógnita, pois o ser humano ainda não saiu de sua clausura espiritual.
Para sair dessa clausura, é preciso coragem. E a coragem se adquire mediante atitudes iluminadas pela fé e alimentadas pelo amor. Essas atitudes se materializam na hora em que houver gestos de repartir os dons pessoais em favor do bem da comunidade. Acontecerão toda a vez que espontaneamente houver partilha para servir. E servir com amor e por amor.
Não haverá necessidade de grandes gestos, ou de heroicas atitudes. Um grande edifício se constrói com pequenos tijolos. Uma grande obra se realiza mediante pequenos gestos. Sua grandeza acontecerá no silêncio da ação e na simplicidade da realização. Tudo que vemos como grande começou pequeno. O próprio oceano é alimentado por pequenos córregos.
Não é proibido sonhar grande. Não é proibido planejar grandes projetos, grandes realizações. Pois tudo se inicia com pequenos sonhos, com pequenos desejos e com pequenos planos. Aos poucos, vão se acrescentando outros e mais outros até chegar ao tão sonhado estado de realização plena e feliz.
O próprio Deus respeita e ilumina essas maravilhas, ou esses milagres. São realizações da limitada inteligência humana e alimentadas pela graça divina. O importante e o belo dessas realizações é que são criação da iniciativa de quem tem bom coração. E quem tem bom coração tudo faz para melhor servir a quem esteja necessitado de algo para se sentir participante da felicidade em viver na comunidade dos filhos e das filhas de Deus.
A humanidade deveria levar mais a sério esses anseios das pessoas empobrecidas. Possivelmente, são seres humanos carentes de afeto e principalmente de instrução e mais profundamente dos princípios cristãos. São seres buscando tanto o caminho da fé quanto o caminho da solidariedade humana.
A dificuldade maior, creio, está no fato de cada qual se isolar em seu mundo sentimental e em seu mundo religioso. Existe pouca partilha de maneiras de pensar e de viver a fé. Há um receio de interferir no modo de pensar dos outros. E no entanto sabemos que todos estamos sedentos de maiores conhecimentos de Deus e dos valores cristãos.