A motivação sempre está presente em qualquer circunstância em que há um objetivo ou uma meta a se alcançar, quer no plano individual, quer no coletivo, bastando, para isso, ser estimulada de maneira apropriada para aquela ocasião. Importante ressaltar que a motivação é um estado de espírito que, por algum motivo, desperta interesse em um indivíduo ou a um grupo de indivíduos que almejam alcançar algo previamente planejado; jamais esquecendo que ela envolve necessariamente o ser humano em toda sua dimensão, seja emocional, biológica, seja, também, social.
O nosso país é cognominado carinhosamente de pátria de chuteiras, é sobejamente conhecido que o Brasil foi o primeiro país a conquistar cinco títulos da Copa do Mundo, graças às habilidades dos jogadores brasileiros, que parecem nascer jogando futebol. Aos poucos, fomos perdendo essa hegemonia, pela falta de organização, mas também pelo interesse despertado por vários países do primeiro mundo, que passaram a assediar clubes e jogadores com propostas irrecusáveis para ter os nossos craques em suas equipes, e mesmo jogadores em final de carreira eram contratados para trabalhar como auxiliares dos técnicos, transferindo conhecimentos e habilidades.
A partir da criação do Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional, os clubes de quase todos os estados da Federação profissionalizaram o departamento de futebol, investindo em contratações para que seus estados/cidades fossem bem representados no torneio. Observa-se que, a partir desse momento, surgiu uma motivação coletiva incontida, em que as partidas de futebol, de norte a sul do País, tiveram público recorde; aqui em Campo Grande não foi diferente, tivemos um Operário e um Comercial que lotavam o Estádio Morenão, e suas torcidas eram fanáticas, a população adorava os eventos ali realizados.
Talvez pela falta de interesse dos empresários e pela falta de apoio governamental, os dois maiores clubes do Estado foram definhando, até perder por completo suas competitividades, restringindo-se às disputas com os clubes de menor potencial do interior do Estado, cujas organizações lembram o tempo do amadorismo marrom. Mesmo assim, o futebol sul-mato-grossense continua vivo, à mercê de abnegados dirigentes e do apoio das torcidas que continuam motivando suas equipes, na esperança do renascimento de nosso futebol.
Porém, a motivação, essa força invisível, parece haver estacionada na cidade de Corumbá, que outrora, ainda no estado de Mato Grosso, sempre despontava como a meca do futebol estadual, com várias equipes bem estruturadas, as quais até mantinham escolinhas de futebol. Porém, a economia regional começou a dar sinais de que estava enfraquecendo e, assim, os clubes foram um a um se abatendo, restando apenas o Corumbaense Futebol Clube, que, desde a época da divisão do Estado, deixou de conquistar títulos.
Um fenômeno parece ter ocorrido na cidade, pois a equipe, já desacreditada, sem vencer há cinco jogos na cidade, estava fadada até ao rebaixamento. A população, que sempre adorou o futebol, observou que algo ou alguém com capacidade de liderança estava vestindo a camisa do clube e assistindo às fracassadas partidas do clube. A partir de então, passaram a lotar o Estádio Arthur Marinho. É o que faltava, os atletas mudaram de postura e se sentiram um corumbaense nato, realizando proezas até então inimagináveis: o time venceu o Operário em pleno Morenão e se classificou para a finalíssima também na Capital, para uma disputa que promete ser emocionante na Cidade Branca. Se motivação ganha jogo ou campeonato, a vitória do corumbaense está garantida no domingo próximo, a conferir.