O mundo em que vivemos é alimentado de acontecimentos bons ou ruins. Enquanto uns celebram a alegria do nascimento de um herdeiro sonhado, outros lamentam a morte de alguém querido e estimado. Enquanto uns celebram uma conquista, outros amargam uma derrota. Enquanto uns constroem caminhos, outros destroem esperanças. Enquanto uns zelam pela vida, outros semeiam mortes.
O mundo é assim! A sociedade também é assim. Enquanto uns grupos humanos são solidários e unidos no combate à fome e à miséria, outros provocam guerras e desastres ecológicos. Unspesquisam com esmerada seriedade maneiras de superar doenças e prolongar a vida, outros constroem armas químicas para matar e destruir.
Estamos num mundo de contrastes. Os poderosos contra os indefesos. Os ricos indiferentes aos pobres. Os judeus contra os muçulmanos. Os cristãos divididos querendo para si o melhor e o maior espaço. Estamos longe de realizar o sonho do Mestre dos mestres, que revela o desejo de constituirmos um só rebanho e um só pastor.
Enquanto continuar essa guerra de interesses egoístas, a esperança de paz entre os povos continuará sendo apenas um sonho. Enquanto houver portas que se fecham aos que estão desesperadamente em busca de quem os acolha e lhes dê um mínimo de atenção, de alimento e de dignidade, nossa humanidade continuará sob o domínio de lobos ferozes.
Uns poderão ver nesse raciocínio um excesso de pessimismo, ou de medo. Vejo nisso não apenas uma ameaça, mas uma triste verdade estampada em tantos rostos desfigurados pela fome, pelas doenças e pelas guerras absurdas e cruéis.
Está na hora de fechar as portas do mal e abrir as portas do bem. Está na hora de fechar as portas da guerra e abrir as portas da paz. Está na hora de fechar as portas do ódio e abrir as portas do perdão. Está na hora de fechar as portas da morte e abrir as portas da vida. Está na hora de fechar as portas do inferno e abrir as portas do céu.
Como seres humanos, não merecemos continuar carregando essa cruz dolorosa, pesando em nossos ombros e ferindo nosso coração. Estamos merecendo um ambiente mais saudável, mais amável, mais confiável e mais feliz. Estamos merecendo olhar um ao outro com mais alegria e com a certeza de sermos irmãos e irmãs da mesma e grande família humana e divina.
Como seria bom se em lugar das armas químicas houvesse flores, se em lugar dos instrumentos destruidores houvesse instrumentos musicais e se em lugar de guerras houvesse abraços de paz.
Francisco de Assis alimentava esse sonho. Ele queria que os homens e as mulheres se tornassem mensageiros e instrumentos de vida para que onde houvesse ódio implantassem o amor, onde houvesse ofensa implantassem o perdão, onde houvesse discórdia implantassem a união, onde houvesse dúvida implantassem a verdade, onde houvesse desespero implantassem esperança.
Estamos longe de realizar esse sonho franciscano. Mas é preciso sonhar e semear esperanças de que um dia o mundo ainda vai se tornar profundamente humano e realizará a comunhão com o Deus da vida, do amor e da paz.