Mato Grosso do Sul está no meio desse furacão, em que lideranças políticas frequentemente aparecem envolvidas nas mais diferentes tramas.
Prisões, conduções coercitivas, delações premiadas, investigações, contestações acerca de provas, mais e mais denúncias. Brasileiros acompanham diariamente escândalos em série, envolvendo os esquemas mais perversos de corrupção para desviar recursos públicos, direcionar licitações, superfaturar contratos e beneficiar empresas em troca do pagamento de propina. Fica até difícil fazer um retrospecto dos resultados das operações da semana.
Mato Grosso do Sul está no meio desse furacão, em que lideranças políticas frequentemente aparecem envolvidas nas mais diferentes tramas. Atônito, o cidadão encontra-se no misto de indignação, descrédito e perda de referências. Em quem confiar? Há sempre o receio de novas decepções, que jamais serão reparadas.
Na quinta-feira, novo desdobramento da Operação Lama Asfáltica resultou no cerceamento da liberdade do ex-governador André Puccinelli, que é monitorado com o uso de tornozeleira eletrônica e corre sério risco de ter a prisão preventiva decretada. Ele é considerado pelo Ministério Público Federal articulador e beneficiário de esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Ao todo, as investigações apontam prejuízos que já alcançam R$ 150 milhões.
Na lista de irregularidades, constam superfaturamento na compra de livros para encobrir recursos ilícitos, inclusive referente à propina paga pela JBS e Eldorado Brasil em troca de incentivos fiscais. Ainda, há irregularidades em obras de rodovias, dinheiro de caixa 2 para campanha do PMDB e locação de maquinários fantasmas para esconder a origem ilícita das verbas. Por fim, “laranjas” eram usados para ocultar o patrimônio milionário, com aquisição de fazendas.
Em outro esquema, prosseguem as denúncias envolvendo políticos sul-mato-grossenses. Delação premiada do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura cita os deputados federais petistas José Orcírio Miranda dos Santos e Vander Louber. Além disso, eles relataram negociação com o senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT), dentro de uma sauna, para acertar pagamentos relativos a caixa 2 para campanha eleitoral ao Senado. Outra etapa da Lava Jato das várias denúncias de irregularidades que já fizeram os brasileiros perderem as contas dos bilhões surrupiados.
O Brasil teve, entre os anos de 2015 e 2016, perdas de R$ 169 bilhões com os esquemas de corrupção e a recessão econômica, a qual também resulta dos efeitos dos equívocos na condução da política econômica e da falta de confiança para assegurar novos investimentos.
Há o sentimento geral de decepção com a classe política e a necessidade de renovação. Essa mudança, porém, não se limita à mera escolha de outros nomes, pois há sério risco de essas “escolhas diferenciadas” serem contaminadas pelo sistema corrupto. As leis tornaram-se simples formalidades, pois o conluio entre agentes públicos e empresários sabe a forma de burlá-las. A propina tornou-se, então, exigência para licitações, contratos e concessões. Absurdos que apenas começam a ser revelados em operações e que precisam ser banidos. Missão que caberá ao eleitor.