A história prova que o planejamento e as ações preventivas são as melhores formas de evitar danos de fenômenos como as fortes chuvas.
Os temporais do último fim de semana em Campo Grande foram a prova cabal de que a cidade ainda sofre com a falta de planejamento e ações para prevenir danos causados por enchentes.
Pouco mais de duas horas de chuva intensa, acompanhada de ventos fortes, foram o bastante para que ruas ficassem alagadas, mais de uma dezena de bairros sem energia elétrica, galhos se espalhassem pelas vias e placas e semáforos fossem danificados.
Ao falar da infraestrutura do município para suportar o efeito dos fenômenos naturais, é também muito justo destacar que vendavais, chuvas volumosas, entre outras manifestações da natureza, como sabemos, são imponderáveis e, por mais que sejam cada vez mais previsíveis, causam danos ainda difíceis de mensurar. São os casos fortuitos. Sempre estaremos sujeitos a eles.
Ao longo da história, entretanto, ficou provado que a maior prevenção para esses casos, de força maior, é o planejamento. As consequências das chuvas e dos temporais não podem ser evitadas, mas os que agem preventivamente podem minimizar – e até zerar – os danos causados por esses fenômenos.
Voltando às chuvas do último fim de semana, as rajadas de vento de 61 km/h e os mais de 30 milímetros de chuva em um período de duas horas foram, sim, violentos, mas poderiam ter gerado efeito bem menos nefasto que o verificado.
Fossem as obras de prevenção de enchentes nos principais córregos de Campo Grande devidamente executadas no período de estiagem, os alagamentos e o aumento da erosão não seriam alguns dos temores da população.
Se as árvores da zona urbana – sobretudo as da zona central – tivessem a atenção que merecem da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur), a chance de parte de algumas delas cair seria menor.
O mesmo se aplica à manutenção dos semáforos, cuja responsabilidade é da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), e à operação tapa-buraco, executada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).
As obras na Avenida Ernesto Geisel, marginal do Rio Anhanduí, via que há mais de 10 anos vem sendo destruída pela erosão, poderiam ter começado na época de estiagem.
A licitação chegou a ser aberta em junho, mas, após sucessivos cancelamentos, foi concluída em outubro, quando a época de chuvas começou.
O município prevê, agora, início do serviço para fevereiro ou março, período em que ainda chove forte. Em outro curso d’água, no Córrego Prosa, as obras para reparar as margens, também danificadas pela erosão, tiveram início no mês passado.
O trabalho, que poderia ser concluído rapidamente, deve levar todo o período de chuvas para ficar pronto.
Obras em época de chuva só são boas para fazer marketing, ou mesmo desperdiçar dinheiro. O efeito prático é igual ao de enxugar uma barra de gelo.