Estamos perdidos! O mundo e a cultura das crianças mudaram. As expectativas e exigências se multiplicaram. Nas brincadeiras, não existe mais um objeto representado, como carrinho, soldadinhos e bonecas.
Sem celular, as crianças ficam perdidas... vou brincar de quê?! A “realidade” virtual está dominando o universo infantil. O fascínio e a sedução exercidos pela imagem estão em posição central. Vemos crianças de todas as idades, nos templos, igrejas, escolas, restaurantes, quartos, salas..., atracadas ao celular e ou tablet, olhando, hipnotizadas, ao que se passa dentro desses aparelhinhos infernais!
Assim, assistimos, boquiabertos, crianças que mal sabem amarrar o tênis, ler ou escrever de maneira inteligível, usar computadores e jogos eletrônicos de maneira assombrosa, passando até a ensinar os adultos da família. Quem já não passou por isso?
Nesse novo mundo digital, pela primeira vez na história da humanidade, tudo depende apenas do código eletrônico da máquina, que leva as crianças a acreditarem que dominam e comandam as imagens, quando, na verdade, são dominadas por elas em uma experiência individual e solitária. E quando se identificam com a imagem, “acabam por banalizar o sofrimento, a violência, o perigo, o horror, a dor, a morte, a sexualidade, o pudor, o amor”.
Quem já não ouviu isso?!
– Esse jogo é muito legal! Dá para fazer ele engolir uma bomba e explodir, comer o corpo dele, ou botar fogo nele, quando você se transforma em dragão!” – Quando você mata, ganha dinheiro, que serve para viver mais tempo! Qual o limite entre o real e o simulado, a realidade e aparência? Quais os efeitos da substituição do corpo que brinca, causados por esses monitores? Quem controla o que é visto na telinha?
Temos mais perguntas do que respostas. Fomos pegos de surpresa e obrigados a entrar nesse jogo desconhecido. O que se sabe, porque somos testemunhas oculares, é que as crianças de hoje, diferentemente das gerações anteriores, têm um jeito solitário de brincar, imaginar, sofrer, pensar e construir, sua realidade infantil.
Segundo o psicólogo e psicanalista argentino Esteban Levin, as crianças têm manifestado transtornos e sintomas que nunca antes foram observados, comparando-se aos casos de adultos, tais como: distúrbios na alimentação, na aprendizagem, na atividade escolar, na linguagem, no desenvolvimento psicomotor, na estruturação subjetiva, além de sinais de: depressão, agressão, insônia, tédio, dependências, estresse, abulia, supraexcitação, fadiga, inibição, apatia e violência”.
Sabemos que o uso do celular e tablete pela criança trouxe também a paz nos lares e ambientes sociais, transformando-se no meio mais eficaz de controle dos filhos, porque ficam quietos, isto é, mudos e imóveis.
Como avaliar e dosar essa exposição a que as crianças estão submetidas?! Não estamos preparados! Estamos acomodados. Por não conhecer, achamos normal. É a modernidade! Nova geração!
É necessário discutir esse tema com urgência. Como ponto de partida, podemos usar a máxima: MENOS É MAIS! MENOS – exposição...tempo diário com o celular... MAIS – amor, mais presença, mais conversa, mais parques, jogos com bola, bicicletas, amigos e, principalmente, tentar responder: Que tipo de gente estamos formando para o futuro?!