Se o fluxo de veículos apreendidos for mantido, será preciso cada vez mais espaço, e mais servidores do Detran, para administrar essa frota, que no momento tem a inutilidade como destino.
A ampliação do número de leiloeiros credenciados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) é uma das melhores notícias relacionadas ao órgão estadual de todo o ano de 2017. Um ato fácil e simples poderá resultar em patios vazios, melhora na conservação dos carros e, até mesmo, em maior arrecadação de valores. Além das multas e das notificações, os recursos financeiros também poderão vir dos lotes arrematados nos certames e também com a venda de sucata.
A venda dos carros inutilizados também é outro ato igualmente importante da atual diretoria do Detran. Levantamento feito pelo órgão, publicado na edição de ontem, aponta a superlotação dos pátios. Em todo o Estado são quase 40 mil veículos. Só em Campo Grande são 15,7 mil automóveis (ou o que sobrou deles).
As mesmas estatísticas ainda mostram que, dentre a totalidade dos veículos que entopem as unidades do órgão de trânsito do Estado, pouco mais da metade (20,2 mil) são de carros que ainda podem ser leiloados, e outros 19,3 mil, quantia menor, porém tão expressiva quanto, são sucatas. Todos os que acompanham, ainda que de longe, os processos de apreensões de veículos sabem que, possivelmente, a grande maioria desses automóveis e motocicletas um dia estiveram aptos a circular. Estes carros e motos, porém, por passarem anos sob sol e chuva, calor e frio, e sem qualquer manutenção durante período muito longo - que beira a eternidade - pereceram.
Aos moradores de Campo Grande basta passar em frente à sede do Detran, na MS-080, para observar o excesso de veículos apodrecendo. A cena desperta indignação em muitos, e pena em alguns. Estamos na torcida para que esta realidade mude. O diretor do órgão, Roberto Hashioka, sabe que da venda de sucata e dos leilões, que devem ser mais frequentes em 2018, é possível melhorar a arrecadação, mas o objetivo não é esse, é “limpar” os pátios.
A retirada de boa parte dos 40 mil carros das unidades do órgão estadual não pode demorar. Se o fluxo de veículos apreendidos for mantido, será preciso cada vez mais espaço, e mais servidores para gerenciar esta frota que, da forma que é administrada, tem como destino a inutilidade. Para se ter uma ideia, em 2017, mais de 8 mil veículos entraram nas unidades do Detran de todo o Mato Grosso do Sul. Apenas 4 mil, aproximadamente, foram retirados dos pátios.
A redução da quantidade de veículos nas unidades, indiretamente, também deve reduzir a prática de crimes ocorridos dentro do órgão público. Não é de hoje que itens de carros e motocicletas apreendidos, como aparelhos de som, equipamentos eletrônicos, elétricos, e até pneus em bom estado de conservação desaparecem durante o depósito destes bens. Como efeito colateral, o aumento dos leilões de automóveis e a venda direta de sucatas poderá deixar o Detran menos vulnerável aos ladrões.