O ano de 2018 será uma continuação de 2017, que foi uma continuação de 2016, que foi sempre assim. As coisas vão mudando, porque os acontecimentos não param. A gente muda, algumas coisas mudam. O respeito com as coisas humanas só irá acontecer se o humano não for simplesmente uma Coisa.
Está pesado ser a Coisa idealizada, desejada. A “Coisa” precisa ser feliz, estar conectada, sair da zona de conforto, ser resiliente, altamente competitivo. A Coisa é algo projetada, preparada, treinada.
Quanto maior impacto a Coisa causar na mídia, mais ela será venerada, imitada e enaltecida. As Coisas que jogam futebol continuarão se tornando a coisa extraordinariamente individual no meio do coletivo.
A Coisa que canta e rebola, causará frisson e será alçada ao sucesso do momento. A Coisa será peça insubstituível no novo mundo festivo das celebridades. Para chegar lá, cada um por si para a construção de um Eu midiático, lucrativo, exclusivo.
O Eu mais do que nunca faz parte da luta, agora individual, das reivindicações personalizadas. O Eu isolado, estudado, preparado para ser o melhor Eu de todos os tempos. A Coisa amanhã.
Este ano teremos eleições, e outra variação da “Coisa” surgirá como a figura redentora de todos os males que atrapalham as nossas vidas aqui e ali. O bem público continuará tendo o tratamento secundário. Primeiro os interesses pessoais, depois o resto. A situação se tornou tão precária, que um bom nome lançado na política passa a ser olhado com desconfiança.
Ao criar os sistemas de governos, uma das justificativas era de que, o ser humano por si só era (é) egoísta e sendo assim, não respeitaria o outro e as coisas. Por isso a criação da lei e a organização do Estado.
Ocorre que, os escolhidos para nos governarem têm sido egoístas, senão, como justificar o enriquecimento próprio e a necessidade de poder. Por não estarmos em estágios avançados como seres humanos, precisamos dessa organização política das coisas. Impossível ser anarquista.
Em 2018 não haverá o cessar abrupto das coisas ruins, nem o surgimento repentino de boas coisas que resolverão nossos problemas. Tudo, ao longo da história, tem se mostrado como um processo que vai se construindo em etapas. Esse processo está em andamento e incerto. Dólar, ouro ou bitcoin?
O Eu, sujeito individualizado e treinado para viver nesse novo mundo de conquistas pessoais, de felicidade, de exposição da vida não mais privada, do “cara” que deu certo, convidará os coisinhas para serem a Coisa que está acima da inteligência mediana.
Ele cobrará para ensinar, porém, não ensinará tudo. Primeiro, porque ele precisa ter uma reserva considerável que o mantenha distante do seu aluno. Segundo, ele não foi treinado para dar respostas pois, sequer aprendeu a ouvir.
A geração que está produzindo os Eus e as Coisas é a mesma da qual fazemos parte, pois estamos dentro desse processo e às vezes confusos ou não, ajudamos a movimentar suas engrenagens.