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Rolemberg Estevão de Souza: 'Um ano promissor'

Diplomata

Redação

04/01/2018 - 01h00
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As eleições de 2018 serão um marco na história política do País. A atual democracia, que, com seus 32 anos de vigência, ainda se encontra em formação, teve em cada uma das eleições realizadas nesse período um grande desafio a ser vencido: das incertezas de 1989 ao impeachment de 1992; da alta inflação que antecedeu 1994 ao desemprego elevado em 1998; do baixo crescimento econômico de 2002 às denúncias de corrupção que marcaram as eleições de 2006; da crise financeira internacional em 2010 à polarização política de 2014.

A todo desafio correspondeu um projeto eleitoral que atraiu a maioria dos cidadãos brasileiros. Nessa perspectiva de longo prazo, o que esperar do pleito deste ano?

O eleitorado brasileiro espera que as propostas a serem apresentadas nestas eleições enfrentem os principais problemas do País: as baixas taxas de crescimento econômico, o desemprego, a precariedade dos serviços públicos, os altos índices de violência e a corrupção nos altos escalões de poder.

Longe de serem exaustivos e sem pretensão hierárquica, esses cinco tópicos certamente estarão presentes nos debates e se colocará em vantagem – em quaisquer dos cargos em disputa – o (a) candidato (a) que melhor se posicionar diante dessas demandas.

Um brevíssimo perfil do “candidato ideal” incluiria conhecimentos sólidos sobre economia e empreendedorismo (do candidato ou de sua equipe, quando for o caso), bom domínio do arcabouço legal, em especial em temas de segurança, e a seriedade no trato da coisa pública e conduta ilibada. Soma-se a esse perfil algo que tem estado ausente nos últimos tempos, um projeto de governo (ou de atuação parlamentar) simples e objetivo, mas em condições de ser realizado.

Vamos nos ater aqui a apenas um desses aspectos, o crescimento econômico, que pode ser considerado o ponto de partida para o sucesso nas demais áreas.

O governo federal tem acertado ao priorizar a recuperação econômica a consequente retomada dos empregos. Entretanto, a flexibilização da legislação trabalhista e as novas regras propostas para a Previdência precisam ser matizadas.

Não se trata de voltar ao passado ou de negar a necessidade de reformas. Porém, de Getúlio Vargas e sua legislação trabalhista à legislação previdenciária construída a partir da Constituição de 1988, a sociedade brasileira aprendeu e se acostumou a ver essas legislações como valores, como conquistas e não somente como “custos”. Regras e dispositivos que permitiram a brasileiras e brasileiros planejar seu futuro e trabalhar com alguma satisfação.

É nesse sentido que outras possibilidades de ajustes devem ser consideradas mais atentamente. Em nossa modesta visão, para a recuperação da economia e dos empregos, a massa salarial precisa acompanhar o crescimento do produto.

No caso de Mato Grosso do Sul, a situação é melhor que a média dos estados brasileiros. As riquezas naturais e o esforço empresarial têm potencializado a produção mineral, agrícola e pecuária, trazendo recursos cruciais para investimentos em outras áreas e em infraestrutura.

Nossas indústrias vinculadas a esses setores podem avançar tanto em valor agregado quanto em produtividade, gerando empregos e contribuindo para a elevação da arrecadação. E, como já foi enunciado em outro artigo no Correio do Estado, alguns setores têm especial responsabilidade.

Estatísticas de empreendedorismo no conjunto do País, recentemente divulgadas pelo IBGE (https://ibge.gov.br), indicam que as empresas de alto crescimento geraram 67,7% dos postos de trabalho entre 2012 e 2015. Nesse conjunto, as empresas de alto crescimento, que representam 1,0% do total de empresas ativas com ao menos uma pessoa ocupada assalariada, responderam por mais da metade dos empregos gerados.

A distribuição dessas empresas por atividade econômica mostra que as principais áreas foram comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, indústrias de transformação e construção civil. Estaria Mato Grosso do Sul em posição de inferioridade nessas áreas em comparação com a maioria dos demais estados? Não nos parece.

Enfim, as eleições deste ano serão a primeira grande oportunidade para a sociedade brasileira – e sul-mato-grossense – identificar seus problemas estruturais, construir as soluções para eles e buscar os candidatos que conseguirem traduzir seus anseios em propostas e projetos exequíveis. Daí nossa convicção de que 2018 será um ano promissor.

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