Há relatos de assoreamento em outros rios, como o Negro e o Miranda, e até mesmo no principal deles, o Paraguai. Situação preocupante.
O homem pantaneiro está assustado com as mudanças climáticas. O que pesquisas científicas e o pressentimento do morador dessa região – que não costuma falhar – já indicavam agora é uma realidade.
É cada vez mais difícil prever quando serão as cheias e quando ocorrerão os períodos secos. Em meio à incerteza, os que mais sofrem são aqueles que tiram o sustento desse ecossistema, único no mundo e que ocupa parte considerável do território de Mato Grosso do Sul.
Reportagem publicada na edição de ontem demonstra que as chuvas, cada vez mais intensas, estão obrigando produtores, trabalhadores rurais, pescadores e até moradores das cidades ribeirinhas a mudarem o comportamento.
Em 2017, por exemplo, em um período de três meses, choveu mais que um terço do volume esperado para todo o ano. Foram 681,4 milímetros de chuva entre os meses de outubro e dezembro.
A atipicidade, conforme indicam os pesquisadores, está na distribuição dessas chuvas. Em um só dia (10 de dezembro de 2017), por exemplo, o volume verificado na região do Nabileque, município de Corumbá, foi superior a 110 milímetros.
Em um passado recente, as chuvas eram mais leves e mais bem distribuídas ao longo da primavera e do verão. Esses “eventos extremos”, como conceituam os cientistas, têm sido a causa de inundações inesperadas em regiões pantaneiras como o próprio Nabileque e o Abobral.
A primeira conclusão que pode ser tirada de episódios inesperados é de que algo não vai bem nos rios pantaneiros. Em uma região em que a água corre calmamente, a violência dos temporais recentes destrói parte das barrancas dos rios e, em alguns casos mais graves, altera o leito dos grandes cursos d’água.
O caso mais grave é o do Rio Taquari, o primeiro a ser assoreado e em vias de ter seu leito totalmente transformado. Há também relatos de assoreamento em outros rios, como o Negro e o Miranda, e até mesmo no principal deles, o Paraguai. Situação preocupante.
A segunda conclusão é de que as precipitações, mais volumosas e, consequentemente, mais violentas, não ocorrem somente por causa de problemas de conservação no Pantanal. As mudanças nos regimes de chuvas são verificadas em todo o planeta, e quem sofre mais as consequências dessas transformações são ecossistemas de características únicas, como o pantaneiro, por exemplo.
Às novas gerações – as que mais devem ser prejudicadas pelas mudanças climáticas – cabe o trabalho para impedir que o Planeta Terra se torne um lugar pior para a sobrevivência humana.
As pessoas, em geral, não devem esperar somente por ações governamentais. A preocupação com o meio ambiente deve partir de cada um. Questão de consciência.