Enquanto uma considerável parcela da nossa sociedade está ainda envolvida com o Carnaval, uma outra parcela se encontra empenhada em analisar a situação em que sobrevivem seres humanos desumanizados pelos inúmeros atos de violência.
As igrejas, conscientes de sua missão neste mundo paganizado, chamam a atenção de toda a sociedade sobre essa questão. Asseguram que a violência jamais poderá ser vista como resposta a alguma agressão sofrida. Veem a violência como um mal inaceitável que jamais resolverá o relacionamento entre pessoas ou nações.
Mais uma batalha para convencer os detentores do poder e do governo das nações a buscarem e construírem caminhos humanizantes na solução dos problemas econômicos e sociais. As religiões não poderão se omitir. A violência está se infiltrando em todos os ambientes, a começar pela família. As redes sociais estão a pleno vapor vulgarizando o sagrado.
Em nossas casas existem homens agredindo suas companheiras. Existem mulheres traindo seus companheiros. Existem pais agredindo os filhos. E existem filhos agredindo seus pais, especialmente os mais indefesos. São situações que clamam aos céus mais bom senso e mais respeito com a vida e com a dignidade humana.
O assunto da violência constitui o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e superação da violência”. e propõe como Lema: “Em Cristo somos todos irmãos”.
Difícil está em olhar e aceitar o outro como irmão. Embora vivendo no mesmo planeta, elaboramos planos e esquemas para derrotar e para destruir os demais. Queremos ser únicos e invencíveis. Ninguém poderá atravessar nosso caminho.
Esquecemos que pertencemos à mesma família humana. Esquecemos que dependemos uns dos outros. Esquecemos que todos precisam gozar dos mesmos direitos e cumprir os mesmos deveres. Infelizmente existem os que constroem um mundo só para si: ideias próprias, maneiras próprias, conceitos próprios. E até um deus próprio.
Não admitem intromissão. Não aceitam partilhar. Querem só para si. Ameaçam a quem se atrever a dialogar. Agridem a quem gostaria de partilhar. Destroem sonhos e esperanças dos mais indefesos. Querem o mundo só para si. Querem as riquezas e o poder só para si.
São seres terrivelmente armados. Não tanto de fuzis, mas de atitudes e comportamentos que os levam a distanciar-se da moral e da ética, da justiça e da verdade, da honestidade e da retidão. Edificam um mundo exclusivamente seu. Fecham-se em seu orgulho e em seu egoísmo.
A Campanha da Fraternidade apresenta-se como um grito de socorro dos tantos seres humanos aprisionados por esses monstros que querem ser donos absolutos dos bens deste mundo.
Essa Campanha da Fraternidade constitui também um apelo sumamente serio às consciências para abolirem toda espécie de violência e implantarem a solidariedade, a misericórdia, o amor e o perdão.
Temos muito caminho pela frente para refletir e tomar posição a partir do assunto atual e assustador como seja a violência em nosso meio.