A intervenção federal proposta pelo presidente Michel Temer colocou o Exército Brasileiro em uma situação dramática. A medida resultou em algo inusitado no curso da história da nossa República.
A causa da ação presidencial é antiga. Lembro-me que algum tempo atrás um general do Exército escreveu o artigo intitulado, “ Falta Estado nas ruas, não o Exército”, para retratar o caos implantado na cidade do Rio de Janeiro e por todos os quadrantes do nosso País. O artigo foi singular.
O seu autor interpretou corretamente o sentimento da nação brasileira que já àquela época estava cansada da violência, bem como da safadeza produzida por governantes inescrupulosos. Isso recrudesceu as ações nefastas de traficantes e contrabandistas.
A falência do estado do Rio de Janeiro motivada pela irresponsabilidade administrativa de governantes inescrupuloso a toda evidencia gerou essa situação miserável. Os fatos noticiam essa verdade cristalina. Não existe outra forma de interpretá-lo.
O Estado existe para servir a sua população em todas as áreas essenciais. Será sempre o bem-estar do ser humano o resultado da sua existência. Quando isso não acontece as organizações criminosas ocupam esse espaço precioso cedido pela omissão condenável de governantes descompromissados com o anseio popular e passam a ditar as regras de conduta e de comportamento para essa mesma população.
A desorganização das nossas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai resulta na mais evidente demonstração da falência estatal. Nessas áreas geográficas preciosas, o crime organizado age sem ser molestado. Seus líderes conhecem como a palma de suas mãos todos os seus quadrantes. Sua logística, pontos de apoio, transportes e segurança para os seus soldados constituem sua espinha dorsal.
A comunicação que possuem resulta em algo surpreendente. Mas essa não é a única falha a demonstrar o fracasso que será a intervenção federal no Rio de Janeiro. Os jornais televisivos mostraram para o País inteiro que o governo fluminense gastou uma importância irrisória com o serviço de inteligência para as suas polícias. Estúpidos quinze mil reais no ano de 2015. Nada em 2016. Essa é a senha maldita a retratar o descaso.
O sistema prisional brasileiro é outro retrato da vergonha nacional. Não recupera ninguém. Nesse contexto surge o impiedoso estado paralelo com as suas leis e os seus tribunais. Ele passa a ditar essa mesma regra de ação e de comportamento para as suas células em outros estados da federação.
É nesse inferno maldito que o presidente Temer jogou o nosso Exército. Uma guerra ingrata. O inimigo não tem rosto nem farda. O mundo inteiro está assistindo ao desfecho dessa ação temerária. O dinheiro é a pedra angular desses malditos propósitos. Os seus protagonistas se transformam em selvagens.
Diante desse quadro temos que dar razão ao general autor do artigo já mencionado. Combater o crime organizado não é função essencial do Exército, Marinha e Aeronáutica. A integridade física do nosso território e a defesa intransigente da nossa soberania são as suas funções primordiais.
Fora dessa realidade gritante não existe espaço para justificar a intervenção. Nesse contexto tormentoso está correto o governador Reinaldo Azambuja. Ao fazer recentemente algumas declarações sobre o tema para os principais jornais do nosso País asseverou que sem uma fiscalização eficaz em nossas fronteiras não há como vencer essa guerra.
Sem recursos generosos não se ganha nenhuma guerra. Isso não é algo novo. Napoleão Bonaparte já dizia que a guerra se ganha com dinheiro, dinheiro e dinheiro. Não é preciso dizer mais nada.
O governador tocou no cerne da questão. Precisamos de uma ação forte do Estado nas fronteiras. Temer ouviu todos os seus principais assessores, mas não ouviu o governador. Ninguém conhece melhor o nosso Estado do que o nosso mandatário.
As críticas quando exaradas com responsabilidade precisam ser analisadas, discutidas e interpretadas sob todos os seus aspectos institucionais. Aqui reside a grandeza do governante de uma nação. Saber ouvir e tomar a melhor decisão.