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Editorial desta sexta-feira: 'Depois da tempestade'

Editorial desta sexta-feira:<br> 'Depois da tempestade'

Redação

02/03/2018 - 03h00
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Após a tormenta da recessão, ventos mais agradáveis chegam à economia brasileira, melhorando o PIB e aumentando a confiança do empresariado e do consumidor.

O resultado de crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas de um país, mostra que o Brasil ainda não saiu da crise, mas caminha a passos largos para isso.

Depois de dois anos em queda, retração de 3,5% em 2015 e em 2016, o resultado de 2017 fez com que a economia voltasse a patamares de 2011. O crescimento ainda é singelo, mas aponta para ventos mais agradáveis.

O Brasil chegou ao fim do poço em menos de três anos, mas se prepara para voltar a subir, e de recuperação a economia nacional entende. São poucos os países com essa capacidade. Sim, este é um país para os fortes. Assim como despencou de uma só vez, o Brasil subirá rapidamente.

A economia nacional só precisa encontrar o primeiro degrau dessa escada e, mais uma vez, ele está no agronegócio. Com safras recordes de milho e soja e, consequentemente, aumento nas exportações, o setor deu o primeiro empurrão na economia já no início de 2017, fazendo com que a retração cessasse.

Nos meses seguintes, esse impulso chegou ao comércio, o consumo saiu do negativo e, na indústria, voltou a produzir. 

Em Mato Grosso do Sul, também foram a agricultura e a pecuária – esta lutando contra seus próprios dragões no ano de 2017, com a instabilidade no grupo JBS – as responsáveis por manter o equilíbrio da economia, assim como segurar o índice de desemprego.

Se não fosse o setor agropecuário mantendo a roda girando, o estrago da crise poderia ter sido muito maior em MS. Essa força pode ser explicada usando um único produtor como exemplo.

Com produção recorde em sua propriedade, ele plantará mais, comprará novos maquinários, trocará de carro, gastará no comércio, reformará a casa. Com isso, o dono do comércio lucra mais e passa a fazer a mesma coisa.

Ou seja, a roda volta a girar, mesmo que ainda lentamente, o que já foi suficiente para aumentar substancialmente o otimismo do empresariado brasileiro. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), subiu 3,3% de janeiro para fevereiro e 18% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

Já para este ano, em que os brasileiros terão eleição presidencial, a expectativa é de que o crescimento da economia chegue a 3%, como apontou nova pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que destaca a preservação das condições que propiciaram a retomada do crescimento econômico no ano passado e ainda espaço significativo para a queda dos juros aos consumidores e ao setor produtivo, como responsáveis dessa projeção positiva.

O Brasil não cai, despenca. Mas a retomada do crescimento, depois de engatilhada, costuma ser rápida; um alívio para os brasileiros depois de dois anos de inflação e índices de desemprego nas alturas.

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