A falta de investimentos em equipamentos de segurança no trânsito acaba por ofuscar todas as melhorias feitas na Avenida Euler.
Foram anos de espera até que as obras de drenagem e duplicação da Avenida Euler de Azevedo saíssem do papel. As intervenções realizadas nos 4,5 quilômetros de extensão tiveram alto investimento, de R$ 16,4 milhões, e transformaram a via, que estava em péssimas condições de trafegabilidade, em um “tapete”.
Porém, a carência de investimentos de segurança no trânsito pode ofuscar todas essas melhorias. A falta de consciência dos condutores, aliada à fiscalização quase inexistente, pode transformar esta via em um “matadouro” e cenário de muitas tragédias, como a que ocorreu na tarde de domingo – um motociclista de 46 anos morreu, vítima de um acidente de trânsito. Se nada for feito, em pouco tempo, os condutores se esquecerão de como era esta via antes das melhorias e terão referências dela apenas como cenário de vários acidentes de trânsito.
As deficiências são muitas, entre elas a falta de semáforos, assim como de redutores de velocidade ou sinalização, carências que, por sinal, se estendem a outros pontos da cidade. No caso da Euler, a precariedade se agrava pela construção de divisória de concreto, como mostra reportagem da edição de hoje do Correio do Estado. A ideia era aumentar a segurança, evitando que carros avancem na pista contrária. Porém, o resultado foi uma verdadeira armadilha para condutores, uma vez que impede a visibilidade de motoristas e aumenta ainda mais o risco de acidentes. É claro que a população tem sua parcela de culpa, sobretudo por exceder a velocidade permitida – uma das principais infrações de trânsito entre os campo-grandenses. Ruas e avenidas recém-pavimentadas ou que tiveram o asfalto recapeado se transformam em “pista de corrida” para alguns motoristas apressadinhos.
Trata-se de um problema cultural e ainda se levarão muitos anos para se chegar a um índice aceitável de educação no trânsito. Enquanto isso, cabe ao poder público promover a segurança necessária de condutores na via pública. Não se pode permitir que mais vidas sejam ceifadas para que, enfim, algo seja feito. Garantir o respeito às leis de trânsito e a existência de ruas projetadas para reduzir, e não aumentar, as chances de acidente é obrigação do Executivo.
É inaceitável uma cidade do porte de Campo Grande com duas licitações – a dos semáforos e a dos radares e lombadas eletrônicas – emperradas durante meses na prefeitura. A cidade está sem fiscalização eletrônica de excesso de velocidade desde dezembro de 2016. Foram incontáveis as vezes em que a licitação dos semáforos parou e foi retomada. Agora, há indicações de que esta novela chegará ao fim. Em agenda pública, o prefeito Marcos Trad informou que os novos semáforos serão instalados dentro de seis meses em toda a Capital. Espera-se que a administração municipal priorize a Avenida Euler de Azevedo nesse processo.