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OPINIÃO

Antônio Carlos Siufi Hindo: "Comércio. Escola de vida e aprendizado"

Promotor de Justiça aposentado

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Na época mais recuada da história da humanidade, os fenícios utilizaram as relações de comércio para se consolidarem como uma grande nação e um estado próspero fincado no médio oriente às margens do Mar Mediterrâneo. Seus habitantes foram educados para o trabalho com a mercancia. Foi esse o instrumento mais forte que fez do seu povo um amante da paz e da concórdia. O comércio foi o grande instrumento a sustentar esse monumental desafio. Tinham razão os fenícios. O comércio, entre tantos outros fatores de desenvolvimento, é o único a fomentar uma ligação emocional, afetiva e respeitosa entre as pessoas. As pessoas frequentam diariamente o comércio para a satisfação de suas necessidades diárias. Elas não compram nas fábricas ou nas indústrias. Daí a sua importância singular. Resultado ainda mais vigoroso, quando proporciona às pessoas a possibilidade de ampliarem suas relações pessoais e de amizade. E de consolidarem as já existentes. 

Nesse contexto sadio, surge a figura importante do titular do comércio, que precisa estar todos os dias à frente do seu estabelecimento. Na sua rotina diária, recebe pessoas diferentes, com gostos diferentes, com necessidades diferentes e também com interesses diferentes. Esses temas a toda evidência enriquecem as pessoas. Aprendem a ouvir os reclamos, espancar as dúvidas e interpretar os diferentes sentimentos. São conquistas preciosas. A elegância no tratamento aliado ao respeito que precisa assimilar diante das divergências completam esse quadro  de um labor honesto e sadio. 

O nosso Estado nasceu sob a égide do comércio. O seu desenvolvimento econômico, social e político resultou sempre escorado nessa importante infraestrutura econômica. Ele é a base fundamental da nossa riqueza econômica e da nossa grandeza social. Emprega, paga os salários, dá segurança para as famílias, recolhe os impostos e faz girar a roda da economia com o seu trabalho lícito. Com os empregos que oferece, proporciona e fomenta a paz e a concórdia no seio da sociedade. Diminui substancialmente o índice de criminalidade. O comércio aberto é símbolo da prosperidade; fechado é a fotografia amarga da desgraça social. 

Em razão dessas circunstâncias, o exemplo da conduta do comerciante precisa refletir no conjunto dos seus funcionários. Regularmente assimilado, aponta para a prosperidade da empresa. Com essa relação sadia, todos saem ganhando. O comércio não é uma entidade de benemerência. Ele visa o lucro para poder subsistir. Os perigos que podem tornar vulnerável seu alicerce precisam ser arrostados todos os dias, com imaginação e criatividade. Aqui está estampada claramente a outra face bonita desse gigantismo. Ele não pode ser olvidado, sobretudo, pelas autoridades constituídas. Precisam ter um olhar diferenciado para essa importante categoria de classe. Não se trata de privilégios. Não precisam disso. Exigem apenas respeito para as suas súplicas, sempre fundamentadas. Eles são escorreitos, claros, diretos, objetivos. Sem tergiversações. Sua importância não termina com esses fatos. Ultrapassa  esses limites. O sorriso precisa sempre estar estampado em sua face. Trata-se de uma exigência singular. Mesmo diante das falcatruas diárias produzidas pelas ações nefastas da política. Não existe outra forma de qualificar esse comportamento. Na sua rotina diária, sabem perfeitamente que as vendas ocorrem no momento oportuno. Nada pode ser antecipado. Tampouco, forçado. 

Quando elas não ocorrem, por diversas circunstâncias, ainda assim, o comerciante não perde nada. Será sempre ganhador. Falo do respeito, da consideração, do carinho, da simpatia, da afeição e da própria amizade que podem surgir desses relacionamentos com os seus clientes. São conquistas preciosas. Ficam marcadas de forma indelével. Valem mais do que centenas  de vendas. 

Essa reflexão precisa ser feita. Ela é o grande alicerce para os outros desafios que sempre estão por vir. Aqui reside em todo o seu esplendor a beleza da relação comercial. Mostra e evidencia de forma clara  que é uma grande escola de vida e também de aprendizado. Precisava fazer esse registro. Ele está feito, pronto e acabado.

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