Nada nesse mundo terreno anima mais as pessoas a enfrentar e vencer os desafios que o destino lhes reserva do que a fé. Somente esse sentimento absoluto de crença em alguma coisa que não teve nenhum indicativo da sua existência pode alimentar uma caminhada alvissareira. Caminhada que pode levar a vencer todos os tipos de vicissitudes. Mesmo aqueles que, à primeira vista, não podem ser solucionados. Confiar na força divina para suplantar esses obstáculos está na grandeza da fé.
O homem e a mulher, animados com esse sentimento, sempre estarão um passo à frente dos seus iguais. São imbatíveis na consecução dos seus propósitos. A força desse sentimento fomenta o bom senso, desperta a esperança e recomenda os comportamentos de referência. Nesse limite estreito está a residir o seu precioso tentáculo. Os templos religiosos serão sempre os locais inexpugnáveis para escorar tamanho sentimento. Não interessa a religião. Pouco importa a igreja. No interior desses templos, as pessoas procuram encontrar a paz, a serenidade e as condições julgadas necessárias para uma conversa direta com o seu Deus. E, nessas súplicas sempre fundadas, esperam alcançar as graças que necessitam. Nada é mais sublime do que essa ação santa. Essas ações dão força para o nosso viver. Qualquer tipo de tropeço pode e deve ser superado.
É escorado nesse diapasão que interpreto a renúncia coletiva do episcopado chileno apresentado ao papa Francisco diante das graves denúncias de abuso sexual que conspira em desfavor de todos. As denúncias foram desnudadas de uma forma corajosa pelas famílias vitimadas. Não existe uma coragem maior. Suas súplicas são fundadas. Imploram que outras tantas crianças e famílias não passem pela vergonha da humilhação e do constrangimento. A pedofilia será sempre um crime repugnante.
Seu gravame resulta maior quando vem de quem tinha o dever moral, ético e religioso de preservar os bons costumes. E levar com a força do poder de Deus os seus fiéis para os caminhos virtuosos da fé, da esperança e da oração. Jamais para o abismo do tormento. Esses homens que formam o episcopado chileno são produtos da sociedade daquele país. Com seus defeitos e virtudes. Esses tropeços são motivados pela personalidade do ser humano. O caráter é outro fator determinante para a conduta reprovável. Eles não foram os primeiros. Seguramente, não serão os últimos a machucar outras tantas famílias. Conhecem muito pouco sobre a grandeza de Deus. Mas a Igreja Católica é maior do que esses equívocos. Os seus princípios são seculares. As mensagens deixadas pelo Cristo resultam até hoje íntegras. Serão sempre perenes. Seus ensinamentos apontarão sempre para o caminho da salvação. A renúncia coletiva do episcopado chileno não constrangerá o pontífice. Ele saberá interpretar o reclamo apresentado e dar a solução segundo os ditames da igreja.
Ninguém é insubstituível. A Igreja Católica já deu essa prova incontestável com o pedido de afastamento formulado pelo então papa Bento 16. Francisco é um ser humano como qualquer outro. Com virtudes e defeitos. Procura enlouquecidamente, com a sua fé e a ajuda de seus fiéis, conduzir com segurança a igreja de Cristo. O filho do Deus vivo. Essa não é uma missão fácil. Precisa de muita humildade nos propósitos que sustenta. A palavra do Cristo estará sempre à nossa frente. À nossa inteira disposição. Depende apenas da forma como interpretamos esses fatos. São essas as recomendações de Francisco. Esse Deus que anima Francisco a carregar esse fardo pesado é o mesmo Deus que planta a concórdia, fomenta a paz entre os homens, dignifica a esperança e ainda oferece o seu perdão.