Artigos e Opinião

OPINIÃO

Francisco Trindade Leite: "Voto, representação, democracia e educação"

PhD em Educação pela Pennsylvania State University, natural de Aquidauana

Notícia sem imagem

É preciso refletir sobre a relação entre o voto, nossos representantes, e a democracia. É o primeiro passo em direção a uma sociedade livre da imbecilização ideológica e da divisão social contemporâneas. 

Políticos não são nossos empregados e tampouco nós, individualmente, pagamos seus salários. Pagamos impostos, que custeiam o funcionamento do Estado. Nossa relação com os políticos é de representação, onde hierarquia não faz sentido. O fato de oficiais eleitos serem chamados (erroneamente) de “autoridade” não significa que são “superiores” ou que a eles devemos obediência. 

Nas democracias os representantes são eleitos pelo voto, que funciona como uma procuração, pelo qual livremente (em tese) outorgamos a alguém a prerrogativa de nos representar. Representação não pode virar profissão (político profissional). Os limites dessa outorga são o grande dilema das democracias: seria o voto um “cheque em branco” dado a alguém para fazer o que quiser com a representação que lhe foi outorgada? Ou seria o voto um “contrato” no qual o indivíduo, baseado em ideias e valores convergentes, concede a alguém o direito de representa-lo(a) politicamente com poderes limitados? A grande questão para aqueles que educam (pais) e ensinam (professores) é: está a democracia restrita ao ato de votar periodicamente em alguém que terá, então, amplo poder para decidir o que é melhor para a sua vida? 

Voto não é transferência de responsabilidade. Cada um é parcialmente responsável pelas ações daqueles que o/a representa, e cada representante é responsável por honrar os compromissos e os limites que a representatividade lhe impõe. Sempre que votamos buscando um “salvador” e que um representante se sente o “salvador eleito” tem-se um problema. Não esqueçamos que muitos políticos são atraídos pelos ganhos e glórias pessoais que a política pode proporcionar. O grande princípio dessa relação é representatividade com responsabilidade compartilhada. 

O “não voto” é um certificado de desapreço pela democracia, pois o indivíduo exime-se de sua responsabilidade de escolha – escolher implica ganhar ou perder; não escolher implica dizer eu aceito qualquer escolha que os outros fizerem por mim. Nem sempre o conjunto da sociedade faz a melhor escolha, mas a democracia permite que erros sejam corrigidos (ou aprofundados). É sempre melhor escolher do que delegar a escolha a outros. Isso tem tudo a ver com a escola. Ela é a primeira grande experiência coletiva e o/a professor(a) é a primeira figura de referência fora da família. Na escola, o aluno(a) experimenta a competição entre iguais e aprende cooperar e compartilhar, ou sabotar e dissimular. Na escola se aprende a escolher e a compreender o significado da representação política. Lembram-se dos grêmios estudantis, das lideranças de classes, dos diretórios de estudantes, e tantas outras agremiações do tipo? Que oportunidades maravilhosas para o aprendizado da representação política! Quanta responsabilidade nos ombros de professores sérios. E quanta oportunidade para professores ideologicamente doentes (e não são poucos, infelizmente) cooptarem crianças e jovens para ideologias unilaterais que escondem uma opção autoritária de tutela estatal como se os indivíduos fossem todos, sempre, incapazes de decidir seu próprio destino.

A democracia só funciona plenamente quando ninguém está acima da lei e o voto não implica no “direito divino dos eleitos”, uma versão moderna do direito divino dos reis. Ela só funciona quando o conjunto dos eleitores param de pedir favores pessoais aos eleitos em troca de seu voto. Os profissionais da educação têm grande responsabilidade nesse processo. A família educa e a escola ensina. Essa é a roda do convívio social: a escola ensina a família e a família educa a escola. Simultaneamente.

Artigos

Entre a estabilidade e o crescimento: o dilema dos juros no Brasil

O diagnóstico merece debate, mas reduzir a Selic por decreto ou a submeter a um conselho político não elimina os riscos de inflação, fuga de capitais e desvalorização cambial

05/11/2026 07h35

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Chega de caixa-preta nos cofres estaduais

A estagnação no faturamento estadual ocorreu em um período em que as autoridades locais se vangloriavam do crescimento em ritmo chinês do Produto Interno Bruto (PIB) local

05/11/2026 07h20

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).