Artigos e Opinião

OPINIÃO

Bruno Sobral: "Será tempo de fechar hospitais?"

Consultor econômico da Conf. Nacional de Saúde (CNS)

Notícia sem imagem

Algumas doenças se desenvolvem de maneira silenciosa. Quando descobertas, já estão em estado avançado, o que torna seu tratamento mais difícil e doloroso. Processo semelhante está ocorrendo entre os hospitais privados no Brasil, como revela levantamento da Federação Brasileira de Hospitais e da Confederação Nacional de Saúde a partir de dados do Ministério da Saúde. Entre 2010 e 2018, sem que o fato merecesse alguma manchete, foram fechados 1.797 hospitais privados e eliminados 31.453 leitos. Os números são um alerta para a crise que tem corroído parte importante da infraestrutura do sistema brasileiro de assistência à saúde.

Ainda que tenham sido abertos hospitais ao longo do período, o saldo final é de 430 estabelecimentos a menos, uma redução de 9%. O desmanche atingiu em especial a parte menos proeminente do mercado, motivo pelo qual tenha até aqui passado desapercebido. A crise vitimou os hospitais com fins lucrativos (71% do total de estabelecimentos fechados) instalados fora das grandes capitais (68%) e de menor porte (68% com menos de 50 leitos). Do total, 66% eram hospitais gerais e 52% atendiam também o SUS.

Uma hipótese para o caso seria a realocação de recursos ou a concentração de mercado. As evidências, no entanto, apontam para uma redução líquida da capacidade instalada, em especial para procedimentos de alta e média complexidade. Tanto assim que houve no período queda de 10% no total de leitos privados.
Pode-se pretender que a diminuição de leitos seja fruto do emprego de tecnologias menos invasivas. De fato, isso ocorre no Brasil e no mundo desde os anos 80. No entanto, aqui o número de leitos por habitantes nem sequer atingiu o patamar médio mundial (de 3 leitos por mil habitantes) e já começa a cair. De 2,7 leitos por mil habitantes, em 2010, descemos para 2, em 2018. Nossa realidade é de uma população que envelhece e que vivencia o aumento acelerado dos casos de doenças crônicas. Isso deveria estar apontando para um crescimento da densidade de leitos e não para a sua diminuição.

São várias as causas para esse processo. Pelo lado da receita, a imposição de preços aos hospitais pequenos, os atrasos de pagamentos e o aumento das glosas por parte dos planos de saúde, somados à insuficiência dos valores pagos pelo SUS, estão entre as causas do estrangulamento. Pelo lado da despesa, a alta carga tributária, de 37%, explica por que a crise afeta mais os estabelecimentos com fins lucrativos do que os filantrópicos.

A eventual retomada da economia e dos empregos pode vir a aliviar esse processo. Mas os hospitais não estão mais lá e a reposição da capacidade perdida não é fácil. A criação e operação de novos leitos e a implementação de novas tecnologias requerem altos investimentos, geralmente suportados exclusivamente por capital próprio, já que inexistem no Brasil políticas e fontes de financiamento para o setor. Melhor, portanto, evitar que os hospitais fechem. A doença silenciosa ainda tem cura.

Artigo

A vingança da natureza promete ser terrível!

As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta

06/11/2026 07h30

A vingança da natureza promete ser terrível!

A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Aversão à vigilância da atividade policial

Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas

06/11/2026 07h20

Aversão à vigilância da atividade policial

Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).