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ARTIGO

Rodrigo Caseli: "O Brasil não conhece o Brasil"

Empresário

Redação

02/07/2018 - 02h00
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A música “Querelas do Brasil”, magistralmente interpretada por Elis Regina, começa justamente com o verso do título, e nas minhas andanças pelo Brasil desconhecido pela maioria da população percebo que é verdade, pois existe muita gente que não tem noção da dimensão e da potência do país em que vivemos.

Recentemente visitei uma loja em Sorriso, no interior de Mato Grosso, e cada vez que viajo para essas regiões distante das capitais fico mais impressionado com a pujança e o potencial destas cidades, das empresas lá instaladas. E também com o fato de estas cidades serem bem cuidadas, bem administradas, dispondo de completa infraestrutura, contando com escolas, hospitais, parques e ruas muito melhores do que a que estamos acostumados a ver nas regiões metropolitanas. 

O desempenho de uma loja em um lugar que não está presente nos noticiários do País demonstra que existe um Brasil que trabalha arduamente, que anseia por todo tipo de produtos e serviços e que não acompanha os índices de desânimo espalhados pela mídia dos grandes centros do Sul e Sudeste.

Com safras cada vez batendo recordes e aumento de renda, em breve veremos muitas outras cidades antes desconhecidas do grande público, como Sinop (MT), Nova Mutum (MT), Luiz Eduardo Magalhães (BA), Parauapebas (PA) e tantas outras se tornarem objeto de desejo para moradia de quem procura oportunidades de negócios e mais qualidade de vida. 

Esses locais não estão longe da crise, eles também sofrem com os grandes gargalos de infraestrutura, mas, em contrapartida, têm um povo com características de resiliência e criatividade e, normalmente, governantes que pensam na melhoria de tudo isso, e não propriamente em seus bolsos.

Dados recentes divulgados pelo Banco Central apontam que a região Norte do Brasil tem apresentado resultados positivos nas áreas de extrativismo, pecuária e agricultura, além de uma expansão bem mais acelerada, em razão de importantes investimentos locais e redução de impactos econômicos em muitas áreas de produção, melhorando, inclusive, os índices de emprego e renda da população.

No ano passado, o PIB das regiões Norte e Centro-Oeste cresceu 2,5%, perdendo apenas para o da região Sul, com 3,4%, e muito acima do da Sudeste, que teve queda de 0,3%. No Nordeste, o crescimento foi de 1,7%.

Acredito que, cada vez mais, as regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste devem ganhar importância econômica e visibilidade nacional, atraindo interesse de grupos econômicos dispostos a investir. Quem já está operando nesses locais ganha tempo e conhecimento e colhe frutos de uma região que, silenciosamente, trabalha acreditando que esta é a solução para a crise.

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