De início, confesso: estou cético quanto aos resultados das próximas eleições de outubro. Pelo quadro-negro que se apresenta – onde o traço primordial é o eleitor registrando nele as suas decepções, indignações, fadigas, descrenças na classe política, suas ojerizas pelos partidos, pela corrupção desenfreada em todos os setores das atividades públicas, da ambição desmedida simplesmente pelo poder –, muito pouco resta de esperança.
Me agasalho dessa pálida esperança, sobretudo quando leio da lavra da nobre senadora sul mato-grossense, Simone Tebet – para orgulho nosso, dos pouquíssimos e reais valores de credibilidade na senda política do País: “O cidadão precisa ter a consciência de que sua maior arma é o voto. A participação do eleitor é fator decisivo para solucionar a crise política do País”. Realmente, quem tem a consciência dos valores éticos, morais e de cristalinos ideais que encerram na expressão cidadania tem de aplaudir as luzes do patriótico pensamento de nossa ilustre representante no Senado da República.
Em que pese em nossa hoje atribulada concepção do labiríntico momento em que a nossa pátria está de passagem, é imperativo ouvir o prudente conselho da senadora Simone de que a nossa “bala de prata” é pelo exercício do voto, pois, além da nesga esperança que por meio dele encontraremos o timoneiro altivo, de pulso firme capaz de retirar o Brasil dessa borrasca de ventos trágicos.
O ceticismo que me domina – não só meu, eis que sou um minúsculo grão de areia nesse “Saara” que vem desertificando de valores o nosso país – não me retira a consciência e o dever do voto. Voto desde as eleições presidenciais de 1950. Participei de todas as que se seguiram, para prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais, senadores, governadores e nas plebiscitárias. Nas minhas contas, foram em mais de cinquenta que exerci o meu voto. Nada obstante, legalmente desobrigado a votar, se Deus me permitir e já nos 87 anos completos, estarei na manhã do dia sete de outubro lá no Centro Educacional Lúcia Martins Coelho cumprindo o meu dever cívico de cidadão – com meu voto, e com este não posso faltar.
Reconheço, não está fácil a opção do voto a depositar, pelo menos para o preenchimento de alguns cargos, mas tenho bem cimentado na consciência minha posição político-partidária e o meu reconhecimento de que, acima dos valores partidários, existem outros que, pela altivez de suas ações em respeito à causa pública, não podem ser olvidados.
No fundo mesmo, o que desejo para o meu Brasil é que o futuro presidente a ser eleito em outubro assuma o solene compromisso no dia de sua posse de lutar pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte “exclusiva” para proceder a reforma das reformas, sem a mínima participação dos remanescentes reeleitos ou com mandatos extensivos do atual Congresso Nacional, isso para não repetir o crasso erro cometido quando da assembleia autora da atual Carta Magna de 1988.