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Venildo Trevizan: "O ser da pessoa"

Venildo Trevizan: "O ser da pessoa"

Aline Oliveira

22/09/2018 - 01h00
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É notório o interesse humano em galgar os degraus da celebridade, dos títulos e do poder. Cada qual luta para conquistar um lugar de honra, atrair as atenções para suas conquistas e suas realizações.

Essa ansiedade perturba muitas mentes e muitos corações. Não dá sossego enquanto não se sobressair em algum setor da vida social e financeira. Parece que o ser humano valha pelos tantos títulos ou pelas tantas propriedades. É a busca insaciável da glória, da fama e do prestígio.

Não podemos negar que esses são valores que merecem dedicação e empenho, pois eles são fruto do esforço pessoal e de uma luta diária em superar as limitações, mesmo tendo que suportar certas privações e muitos sacrifícios. Saiba que vale a pena tudo isso, pois virá a recompensa, virá o triunfo e virá a vitória.

O Mestre dos mestres, em sua sabedoria e competência, mostrou uma outra face dessa busca. Mostrou que o pensar da sociedade nem sempre corresponde ao pensar de Deus. Mostrou que o caminho traçado pelos homens nem sempre é o caminho desejado por Deus. Mostrou que os conceitos humanos nem sempre se enquadram nos conceitos de Deus.

Enquanto estavam caminhando para Jerusalém, ia prevenindo e informando sobre o que aconteceria. Falava claramente que ele seria preso, sofreria muito, seria crucificado e morto. E, após tudo isso, ressuscitaria.

Mas seus discípulos não se davam conta de tudo isso. Nas suas cabeças, fervia a ideia de serem escolhidos para comporem um novo governo e passariam a assumir cargos de honra. Enquanto caminhavam, discutiam quem entre eles seria o maior e o mais importante. Ao mesmo tempo, tinham medo de perguntar ao Mestre, pois julgavam que seriam censurados. E o Mestre percebera tudo o que estavam tramando.

Ao chegarem em casa, o Mestre sentou-se, chamou os discípulos e lhes disse: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos” (Mc.9,30-37). Essa posição não agradou. O sonho deles não era esse. Não cabia em seu pensar que, para ser importante, fosse necessário fazer-se pequeno e servo de todos.

O orgulho estava ferido. A ganância fora bombardeada. O egoísmo acabara de receber a sentença trágica. Mas o Mestre continua firme e convicto em seu projeto. Mostra que o caminho para chegar ao verdadeiro Reino consiste em fazer-se servidor e totalmente disponível às necessidades da comunidade.

Somente quem acolher esses ensinamentos alcançará o entendimento do querer de Deus para a construção do novo Reino. Esse novo será constituído por aqueles e aquelas que primarem na implantação da justiça, na difusão da verdade e na comunhão do amor.

São pessoas privilegiadas por terem descoberto o valor do amor divino em prol de todos quantos se empenharem em valorizar o ser humano como obra-prima de Deus.

Não haverá lugar para o orgulho. Não haverá busca de prestígio. Não haverá corrida para ser o primeiro. Haverá alegria em servir. Haverá prazer em partilhar. E haverá felicidade plena de comunhão com Deus.

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