Antes de ter ace sso à boa saúde e educação de qualidade para suas famílias, os eleitores querem dormir tranquilos, sem qualquer tipo de ameça à sua integridade física.
A vida humana ocorre no intervalo entre o caos e a ordem. Ninguém vive plenamente em um destes dois conceitos. Há alguns, como alguns moradores de alguns países desenvolvidos, ou em que há pulso firme do estado, que a ordem prevalece. Como falaremos do Brasil, falaremos de algo que entendemos bem (ou será que não?) que é de caos.
É do caos que surge algumas características exaltadas positivamente no nosso futebol e na música. O brasileiro improvisa como ninguém, para bem e para o mal. Este talento em “tirar leite de pedra” nos fez revelar craques no esporte e talentos nas artes. Historicamente, não são poucos os brasileiros que identificam sua vida cotidiana como um exercício pleno de sobrevivência em intervalos caóticos de 24 horas ou, grosso modo, “matar um leão por dia”, como muitos preferem definir.
Ocorre que o mesmo improviso que faz muitos de nós sobreviver, ou que nos faz exaltados mundialmente por isso, é o mesmo que nos envergonha. O presidiário brasileiro, por exemplo, consegue enganar as tornozeleiras eletrônicas com papel laminado. Também somos bons em “gambiarras” e descumprimento de regras e, isso não nos orgulha nem um pouco.
Nas eleições do último domingo, dia 7, o brasileiro - acostumado com os desafios inesperados - demonstrou que está cansado. Sobretudo que não aguenta mais o caos agravado de 2013 para cá. Este cansaço pautou as votações: 70 candidatos com alguma patente militar foram eleitos no último pleito. Se contarmos os policiais de organismos não militarizados, como a Polícia Federal e as políciais civis, o número é bem maior.
Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o deputado estadual mais votado nas urnas é oriundo do Exército.
Seu correligionário, vem da Polícia Militar. Ambos são do partido de Jair Bolsonaro, capitão da reserva.
No último domingo, quem entendeu o clamor por organização, foi bem nas urnas. A população agora espera que o discurso deles, se reflita na prática. Os que não entenderam o recado ainda, devem se lembrar que antes de ter a saúde e educação garantida para suas famílias, os eleitores querem dormir tranquilos para ter acesso às escolas, aos cursos, aos atendimentos médicos e às práticas esportivas. Sem organização, fica difícil crescer e voltar a fazer planos. É isso que o brasileiro quer, e o recado foi dado no dia 7 deste mês.