Artigos e Opinião

ARTIGO

Antônio Carlos Siufi Hindo: "Continência à Pátria"

Promotor de Justiça aposentado

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Os brasileiros deram para o mundo civilizado um banho de democracia. Evidenciaram a lisura do pleito eleitoral, o seu processo de votação e a proclamação dos resultados. A Justiça Eleitoral chancelou essa conquista maravilhosa. Mas não é só. A comissão da Organização dos Estados Americanos  (OEA), designada para acompanhar o processo de votação e apuração do resultado, referendou a sua lisura. A grande imprensa internacional que acompanhou o processo de votação chancelou esse indicativo.

Essa é a moderna democracia que estamos construindo. As instituições sólidas são os seus paradigmas. Foi nesse contexto de alegria e júbilo singular que os eleitores ficaram frente a frente com as urnas para cumprirem seu dever cívico. Todos, encharcados do amor  incondicional à nossa Pátria e ao seu futuro.

Esses valores foram representados pela nossa mansidão de propósitos e tradição da nossa índole pacífica, respeitosa e democrática. Nada pode ser levantado que conspire em desfavor dessa conquista. Os valores da família estiveram na linha de frente dos candidatos para as eleições majoritárias e proporcionais. O orgulho nacional resultou despertado. 

Há muito tempo, nós não assistíamos tamanha manifestação cívica e democrática. A Bandeira Nacional, como símbolo máximo, esteve sempre no ápice dessas manifestações. Não podia ser diferente, pois ela é o retrato mais explícito da nossa Pátria. As nossas crianças precisam aprender a tomar gosto pela sua imagem, suas cores e o seu lema. A  configuração, por meio do seu desenho, precisa evidenciar o respeito às nossas tradições culturais e históricas. Ela representa o povo brasileiro, com as suas aspirações sempre generosas e também na pluralidade dos seus pensamentos.

Mas, em outra atividade da vida nacional, o orgulho patriótico também aflora com a valentia digna de registro. Ela está circunscrita no campo político. Os sentimentos nacionais nessas ocasiões confundem-se com a paixão na sua forma mais sublime. Essa verdade, que não reserva espaço para ser contestada, não é difícil de ser identificada. Está estampada nas faces das pessoas. No brilho dos seus olhos. As expressões que brotam livremente dessas manifestações agasalham o entendimento. A defesa intransigente dos seus candidatos, o programa de governo de seus partidos, a importância para as questões econômicas e sociais são as suas evidências maiores. A saúde, a educação, a miséria, o trabalho, a renda e a segurança estão em todas as conversas da população.

Esse debate exaustivo enriquece o pleito e forma a consciência livre e responsável para ditar os rumos da nação. Esse interesse não tem preço. A questão aqui trazida à baila para reflexão não é difícil de ser entendida nem interpretada. Nenhuma das propostas apresentadas pelos candidatos para as eleições majoritárias e proporcionais superam o amor à Pátria, aos seus símbolos, às suas insígnias. Seus brasões e a exaltação dos seus heróis, que construíram com o trabalho honesto a nossa grandeza material e espiritual, também apontam para essa conquista. É assim que se constrói uma grande nação. Foi essa a recomendação de Abraão Lincoln aos seus cidadãos.

A Pátria não serve para nada se desconhecemos a sua história e os homens que a construíram. Lincoln estava encharcado de razão. O bom senso aponta para essa verdade. Aqui reside o propósito maior do presente artigo. Somente esses valores podem unir a nação e despertar na consciência de cada brasileiro esse raciocínio singular. Mas a justiça precisa ser feita. Não foram apenas os eleitores que mostraram essa grandeza democrática. Os candidatos, independentemente das siglas partidárias, foram as grandes estrelas. Tiveram a coragem cívica de enfrentar os desafios das urnas.

Rui Barbosa, na sua inteligência sempre festejada, ensinava  que, nas disputas eleitorais, não existem apenas os candidatos vencedores evidenciados pelos números de sufrágios conquistados. São também vencedores outros tantos que se submeteram ao crivo do voto e evidenciaram a solidez das suas convicções. A omissão, sustentava o grande jurista, é o crime mais grave. Os omissos que tinham condições de oferecer a sua inteligência e os seus propósitos e se inclinaram para a face amarga do comodismo mostraram a sua pequenez diante de uma realidade palpável. Esses não serão vencedores nunca. A sensibilidade em ouvir o clamor da Pátria consubstanciada nas aspirações de seus filhos está na razão dessa reprimenda. Essa verdade não é difícil de ser entendida, interpretada e consolidada. A educação é o seu primeiro degrau para formar essa consciência. Não existe outro caminho. Nesse contexto eleitoral e democrático, a verdadeira continência que devemos prestar precisa ser oferecida à Pátria. A ninguém mais. E ponto final.

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