Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta: "Excesso de regalias"

Confira o editorial desta quinta: "Excesso de regalias"

Redação

01/11/2018 - 03h00
Notícia sem imagem

Enquanto a maioria trabalha por um salário mínimo, vereadores têm, além do rendimento mensal, as conhecidas verbas indenizatórias

Os nomes variam de acordo com o município, vão de simples verbas indenizatórias até Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), mas o objetivo é o mesmo, fazer com que vereadores tenham acesso a uma série de regalias financeiras. Enquanto a maioria no Brasil luta por um salário mínimo todos os meses, os parlamentares têm, além do rendimento mensal, recursos para pagar desde materiais de escritório a combustíveis e viagens. O resultado é uma conta cara, paga pelo contribuinte.

Em Três Lagoas, como mostrou edição de ontem do Correio do Estado, a Justiça Estadual determinou que vereadores de Três Lagoas devolvessem R$ 1,2 milhão aos cofres públicos pelo recebimento da Ceap, entre os anos 2011 e 2016. A decisão é da juíza Aline Beatriz de Oliveira Lacerta, baseada em ação do Ministério Público Estadual, por meio do promotor Fernando Marcelo Peixoto Lanza. Em um dos casos, o pagamento chegou a 65% da quantia correspondente à remuneração mensal, o que só o salário já coloca os nobres edis em grupo restrito, com rendimento superior a dez salários mínimos no Brasil.

Só o fato de ter acesso a essas verbas indenizatórias, consideradas inconstitucionais, justifica a ação do Ministério Público. O problema é que, além de ter um salário acima da média nacional, há pouco retorno aos que pagam esse salário. Em Campo Grande, onde também há ação para suspender a verba indenizatória dos vereadores, raros são os projetos de interesse coletivo ou importantes para a Capital aprovados neste ano. Ontem, porém, projeto de lei para garantir transporte público gratuito a doentes crônicos renais foi apresentado e provado. Bandeira do Correio do Estado, depois da decisão da Justiça de suspender a lei que garantia o passe livre em todo o Brasil, o projeto de lei do vereador Junior Longo (PSDB) garantirá o tratamento de dezenas de campo-grandenses. Deveria ser a regra, mas é exceção.

Enquanto isso, vereadores que pouco fizeram no decorrer do ano, além de apresentar homenagens e moções, gastaram quantidade considerável de dinheiro. Em quatro meses, como apontou ação do Ministério Público, os vereadores de Campo Grande custaram R$ 1,3 milhão, fora o rendimento mensal. O uso da verba indenizatória pode não ser ilegal, uma vez que a Câmara conseguiu derrubar na Justiça liminar que suspendia o uso do recurso, mas é imoral, o que parece não incomodar em nada a consciência em geral. A ação foi movida depois que os vereadores aumentaram o teto de despesa, que passou de R$ 8,4 mil para R$ 16,8 mil.

Artigos

Entre a estabilidade e o crescimento: o dilema dos juros no Brasil

O diagnóstico merece debate, mas reduzir a Selic por decreto ou a submeter a um conselho político não elimina os riscos de inflação, fuga de capitais e desvalorização cambial

05/11/2026 07h35

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Chega de caixa-preta nos cofres estaduais

A estagnação no faturamento estadual ocorreu em um período em que as autoridades locais se vangloriavam do crescimento em ritmo chinês do Produto Interno Bruto (PIB) local

05/11/2026 07h20

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).