Aprovado pela Câmara, projeto traz série de benefícios para Campo Grande, mas também surpresas que podem custar caro.
Após dezenas de reuniões, encontros, audiências públicas e muitas discussões, o Plano Diretor enfim foi aprovado pela Câmara Municipal, quase um ano depois do início da tramitação. O texto aprovado, como mostra reportagem de hoje do Correio do Estado, traz uma série de benefícios, mas também algumas surpresas que podem custar caro para Campo Grande. Entre as maiores desfigurações do plano que vai ordenar o desenvolvimento da Capital para a próxima década, está a criação de uma zona de expansão. Em tese, o perímetro urbano de Campo Grande – até onde a Capital pode crescer – se manteve. O tema era um dos mais sensíveis em toda a revisão do Plano Diretor. Uma das emendas apresentadas ao projeto, no entanto, criou a zona de expansão, área que pode ser ocupada por imóveis, caso haja projeto de lei aprovado e sancionado pelo prefeito. Na prática, o texto aprovado, ontem, pelos vereadores não proíbe totalmente a ampliação do perímetro urbano, só dificulta o processo.
Agora, caberá aos chefes do Executivo, atual e futuros, serem rigorosos para barrar esse crescimento desgovernado. Um dos motivos de não aprovar a ampliação do perímetro urbano é evitar o crescimento desproporcional e também garantir a redução dos vazios urbanos. Melhor ocupar um terreno baldio do que criar novo loteamento a quilômetros de distância. Ampliar o limite territorial, mesmo com áreas desocupadas por toda a cidade, é encarecer os serviços básicos de saúde e, consequentemente, aumentar os gastos com a máquina pública.
Para quem investe, comprar uma área fora do perímetro urbano fica mais barato. Mas, para a população em geral, custa caro. As pessoas que lá residirem precisarão de toda a infraestrutura necessária, como postos de saúde, escolas, Centros de Educação Infantil, iluminação pública, coleta de lixo e tantos outros serviços essenciais básicos. Quanto mais distante da área urbana, mais caro levá-los até os moradores. Por isso, é importante que o prefeito Marcos Trad tenha pulso firme na hora de analisar o Plano Diretor com as 156 emendas realizadas no texto original. O projeto de lei prevê medidas de extrema importância para Campo Grande, sendo impossível pensar o crescimento sustentável da Capital sem a sua existência. Trata-se de um estudo que examina desde o aumento populacional até a necessidade de postos de saúde, ou de escolas, por regiões. Se seguido à risca, o plano evita uma série de adversidades hoje comuns nos grandes centros. O problema é quando alguns pontos são maquiados.
Trad, que tem nas mãos o poder da sanção, veto parcial ou total, terá de ser bastante firme em sua decisão, pensando no melhor para Campo Grande. Se passar, também caberá a ele, ou ao próximo administrador, ter pulso suficiente para barrar as possíveis aberrações que poderão surgir.