Para combater o recorrente problema das enchentes em Campo Grande, a prefeitura precisa renovar o planejamento e executar ações.
A melhor maneira para que a sociedade não sofra as consequências de fenômenos naturais ou da desorganização do ambiente urbano chama-se planejamento. A partir de informações valiosas, obtidas por meio de estudos, estatísticas e análises do cotidiano das pessoas, do meio ambiente e de estruturas físicas urbanas, entre outras fontes, é possível prever situações de catástrofe e outros eventos que desafiem os limites da boa convivência entre os cidadãos.
O planejamento descrito acima é o que deveria ocorrer em toda grande cidade do Brasil. Mas não é o que, de fato, existe. O que o cidadão de Campo Grande e de outras pequenas e grandes cidades brasileiras presenciam é o caos a cada caso fortuito ou evento de força maior. Basta um volumoso temporal para transformar vias públicas em pequenos rios por onde correm violentamente as águas da enxurrada. Durante estas mesmas chuvas, é comum a cidade ficar sem abastecimento de energia elétrica. Depois de cada enchente, ainda sobra muito trabalho de limpeza e manutenção, sobretudo em comunidades carentes.
O Plano Diretor de Drenagem de Campo Grande mais recente foi elaborado há dez anos, quando a população da cidade era de cerca de 700 mil habitantes, quase 180 mil habitantes a menos que o total de moradores dos dias atuais. Isso significa, mais ou menos, a soma aproximada da população das cidades de Três Lagoas e Ponta Porã a mais, neste período. Na última década, aliás, apesar do crescimento da população já citado, a cidade teve pouquíssimos investimentos em drenagem, o que ajuda a explicar o caos que se instala a cada temporal na capital de Mato Grosso do Sul.
Reportagem publicada na edição de ontem mostra que o Ministério Público Estadual abriu procedimento administrativo para acompanhar os trabalhos da comissão que investiga as causas das enchentes em Campo Grande e busca soluções para acabar com os alagamentos e as inundações. Como já afirmamos no início deste texto, planejamento é fundamental para mitigar os danos das catástrofes naturais, mas trabalho é algo ainda mais importante. De nada adianta planejar, se obras e ações para minimizar os efeitos dos temporais não saem do papel.
Somente com um trabalho extremamente técnico para acompanhar a vazão dos córregos, o caminho percorrido pela enxurrada e os gargalos de drenagem é que acabarão de vez com os transtornos que o cidadão da Capital é submetido a cada chuva. Este trabalho deve ter como orientação o interesse público. E, para que a vontade da maioria prevaleça, é necessário impor obrigações a parte da população e aos que modificam o ambiente perto dos rios e dos córregos.