Quem paga pedágio para circular pela BR-163 em Mato Grosso do Sul espera que a CCR MSVia, pelo menos, conclua as obras de duplicação em um trecho de 20 quilômetros.
Todo impasse prejudica as partes envolvidas. Intenções conflitantes, sempre geram demandas e insatisfações à medida que se prolongam. Relações malresolvidas não fazem bem a ninguém. Nos últimos dois anos, o impasse entre a empresa CCR MSVia e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre o cumprimento do contrato de concessão da BR-163 tem sido o maior gerador de reclamações e notável descontentamento dos motoristas que circulam pelos mais de 840 quilômetros da rodovia que atravessa o Estado de norte a sul.
Há que se reconhecer que a experiência de viajar por esta importante via do Centro-Oeste do Brasil é muito mais satisfatória que há quatro anos. A estrada ficou conhecida por décadas como “Rodovia da Morte” e perdeu este status depois que o grupo CCR venceu licitação para administrar o trecho a partir de 2014. Quem usa a rodovia, porém, paga pelos serviços oferecidos pela concessionária e, pelo valor que recolhe nas praças de pedágio, espera muito mais dela. Aliás, espera que ela faça o mínimo: cumpra suas obrigações contratuais e aumente o trecho de pista dupla.
Reportagem publicada na edição de sexta-feira (16) mostra os que trafegam pela BR-163 como os mais atingidos pelo impasse entre a CCR e a ANTT. São, pelo menos, 20 quilômetros de obras abandonadas no trecho compreendido entre Campo Grande e Mundo Novo. A maioria dos canteiros “esquecidos” pela concessionária está nos municípios de Itaquiraí e de Nova Alvorada do Sul. Faltou muito pouco para que eles fossem concluídos. A pergunta que fica é: por que a empresa não concluiu estas novas pistas antes de anunciar a paralisação das obras? Faltava muito pouco e, depois da retomada, certamente o custo para a própria empresa será maior.
A CCR MSVia alega que abandonou o trabalho na BR-163 por causa da retenção de empréstimos viabilizados via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal. A operação da empresa praticamente ignorou o faturamento com as cobranças nas praças de pedágio. O movimento na rodovia, por exemplo, aumentou no primeiro semestre deste ano, mesmo em meio a um dos eventos mais marcantes da história do transporte brasileiro: a greve dos caminhoneiros.
Recentemente, o governador Reinaldo Azambuja pediu ao Tribunal de Contas da União a liberação da CCR MSVia, para renegociar seu contrato de concessão. A empresa pretende duplicar a estrada, conforme o aumento de seu faturamento e o surgimento de demanda. A cobrança de pedágio, porém, continua. A impressão é de que a concessionária pede para que a agência reguladora a libere para fazer obras na pista quando bem entender.
Esperamos que este repasse seja resolvido da melhor forma. Quem usa a BR-163, não confia na gestão do poder público e não a quer de volta com o status de “rodovia da morte”. Porém, deseja condições melhores de tráfego na estrada, como a duplicação da via.