Para a população do Estado, seria muito bom que o grupo Acron concluísse a compra da estrutura da usina incompleta para ativá-la e gerar emprego e renda
Antes de tomar uma decisão, toda pessoa que exerce um cargo público e tem autoridade sobre os demais cidadãos deve pensar nas consequências de seus atos. Tal preocupação – que deve ser obrigatória – é necessária para manter o bom funcionamento da sociedade. É preciso garantir a harmonia das relações e dar previsibilidade para criar um ambiente estável para que as pessoas e, consequentemente, as cidades, os estados e o País se desenvolvam.
Tomar decisões é a principal função das autoridades com poder de influenciar o cotidiano das pessoas. Quem ocupa tais cargos deve ter muita responsabilidade e sensibilidade. Esses valores devem pautar as ações dos chefes do Poder Executivo e dos integrantes do Legislativo e do Judiciário. Na prática, porém, existem as distorções, que prejudicam milhares de pessoas. Exemplo disso é a liminar que impede a venda de uma fábrica parada de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas, interior de Mato Grosso do Sul.
Desde julho deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, suspendeu a venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III da Petrobras, cujas obras estão paralisadas há três anos. Aliás, o ministro impediu a venda da fábrica de fertilizantes da Petrobras – que está em atividade – em Araucária (PR). A de Três Lagoas, ainda incompleta, entrou no pacote injustamente.
Uma coisa é a empresa estatal desfazer ativos que, de fato, geram produção e receita. Outra coisa é a empresa desfazer-se de uma obra paralisada que, se depender da estatal do petróleo, dificilmente será concluída, como no caso da UFN-3. Por causa da decisão de Lewandowski, tomada sem levar em consideração a possibilidade de desenvolver ainda mais o leste de Mato Grosso do Sul, o grupo russo Acron não consegue concluir a negociação de compra da empresa.
Falamos de um investimento bilionário: pagamento de R$ 3,2 bilhões pelo controle acionário, mais R$ 5 bilhões em investimentos. Fora esses recursos que serão aplicados diretamente, a presença de uma fábrica de fertilizantes dessa magnitude em Mato Grosso do Sul aumentaria consideravelmente a receita com a arrecadação de impostos, além de reduzir as importações desses tipos de insumos e baratear o custo da produção agrícola. Pois bem, a decisão do ministro do STF trava todas essas melhorias. Para a população do Estado, seria muito bom que o grupo Acron concluísse a compra da estrutura da usina incompleta para ativá-la e gerar emprego e renda.