As celebrações e as comemorações populares e oficiais obedecem a dois calendários: o calendário civil e o calendário religioso. O civil inicia-se dia primeiro de janeiro e encerra-se dia trinta e um de dezembro. E o litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento e encerra-se na festa de Cristo Rei. O Advento, como os demais acontecimentos litúrgicos, é uma oportunidade oferecida pela igreja com o objetivo de o povo poder exercitar e renovar constantemente o espírito de fé, de conversão e de renovação interior e comprometer-se com a solidariedade humana e a intimidade com o sagrado e com Deus. São momentos e celebrações para vivenciar cada dia mais os dons pessoais a serviço do bem e da verdade.
Estamos encerrando o Ano Litúrgico. Para os cristãos, é oportunidade de celebrar a presença de Deus durante esse tempo todo como amigo e caminheiro. Reconhecendo-o assim, propomos ao mundo atitudes de gratidão e de louvor. E, mesmo não sendo do seu querer, o amamos e o adoramos como Rei e Mestre desse universo e dessa humanidade.
Não queiramos igualar seu reino com os demais. Seu jeito de ser revela um reino diferente. Revela um reino fundamentado na verdade, no amor, na paz, na justiça e na vida para todos. É um reino constituído de bênçãos, de misericórdia e de perdão. É um reino que nasceu no lava-pés e se estendeu por meio de atitudes que comprovam sua riqueza baseada no serviço fraterno e solidário.
Nesse reino, quem quiser ser importante, faça-se o servo de todos. Quem quiser ser o primeiro, faça-se último e escravo de todos. Pois esse é um reino diferente. Nele, não há exércitos, nem armas, nem palácios, nem riquezas, nem inimigos.
Esse reino não é desse mundo marcado e ferido por inimizades, guerras e mortes. É um reino onde todos deverão se relacionar e conviver como irmãos e irmãs. Pois nosso rei é aquele que veio dar testemunho da verdade. Veio para servir e não para ser servido. Veio revelar a dinâmica do verdadeiro reino, a dinâmica do amor baseada na misericórdia.
Foi isso que motivou o único mandamento: “Amem-se uns aos outros, assim como eu os amei. Nisso todos saberão que são meus discípulos”(João 15:12). Não existe outra lei ou obrigação a não ser o amor. E é isso que distingue o reino de Deus do reino dos homens. O reino de Deus é o reino do amor. Os reinos humanos são marcados por interesses egoístas.
Os reinos humanos privilegiam alguns e excluem os demais. Selam alianças hipócritas e interesseiras, visando enriquecimentos ilícitos e criminosos. Favorecem a corrupção política e financeira. Desprezam a moral e a ética.
Bem diferente é o reino de Deus. Nele, só prosperam e vencem os corações mansos e humildes, os corações que semeiam a paz, os corações que sabem ser misericordiosos, os corações que perdoam, os corações que são justos, os corações que consolam e os corações que se mantêm abertos aos ensinamentos divinos.
Por fim, o reino de Deus é um reino de santos e pecadores. Todos caminhando no mesmo caminho solidários nas fraquezas e fortalecidos na fé.