Em meio a tanta gente sofrendo e pagando com a própria vida nas filas dos postos de saúde, é lamentável que ainda existam pessoas desviando dinheiro que poderia salvar vidas
A Operação Reagente, desencadeada na sexta-feira, 30 de novembro, pelos agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), demonstra que as autoridades continuarão atentas à utilização dos recursos públicos e que a busca por punição dos que desviam dinheiro arrecadado com o pagamento de impostos é um caminho sem volta. Que assim seja.
No caso da ação comandada pelo Gaeco, grupo que está sob a responsabilidade do Ministério Público Estadual, são investigados crimes como fraude em licitação, peculato (o desvio dos recursos públicos), corrupção passiva e ativa, além de organização criminosa. Reportagem publicada na edição do fim de semana informa que a quadrilha investigada usou a compra e a locação de equipamentos e produtos clínicos e hospitalares para desviar recursos da saúde.
Cabe aqui destacar que a área da saúde é a que mais gera reclamação dos cidadãos. Pudera, as longas filas por consultas e cirurgia são uma realidade difícil de ser transformada, e a demanda da saúde, em tempos de dificuldades financeiras das famílias – muitas fogem dos planos de saúde suplementar –, só aumenta. O resultado é um gargalo praticamente impossível de ser solucionado. A esperança de que a população receba atendimento digno das autoridades só existe mesmo na época da campanha eleitoral.
No caso do Hospital Regional, é importante que os mecanismos de transparência sobre os recursos aplicados na fundação estadual que administra a unidade sejam aperfeiçoados. Trata-se de uma estrutura gigantesca que, se fosse utilizada de maneira mais eficiente, poderia ajudar Campo Grande e os municípios do interior de Mato Grosso do Sul a resolverem o problema da falta de leitos.
Na sexta-feira, mesmo dia em que as forças do Gaeco e do Gecoc foram às ruas para prender três pessoas e cumprir mais de uma dezena de mandados de busca e apreensão, o Hospital Regional publicava o resultado de outra licitação milionária, com valor acima de R$ 9 milhões para serviços de limpeza na unidade. Mais um motivo para os investigadores continuarem atentos.
A corrupção e o mau uso dos recursos públicos são males que devem ser combatidos em todos os setores da administração pública. Na saúde, em especial, o problema dos que cometem estes crimes é ainda mais reprovável dos pontos de vista ético e moral. Em meio a tanta gente sofrendo e pagando com a própria vida nas filas dos postos de saúde, é lamentável que ainda existam pessoas que desviem dinheiro que poderia salvar vidas.