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OPINIÃO

Gilberto Verardo: "O setor público malresolvido"

Psicólogo e psicoterapeuta

Bruna Aquino

04/12/2018 - 01h00
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A iniciativa privada, quando se depara com crises, reinventa caminhos para alcançar os mesmos objetivos.

O setor público, por uma dificuldade de sair da fôrma (com os devidos contornos dos caminhos burocráticos), se desespera ou entra na síndrome do “não adianta”. Não usa a criatividade. Repete a fórmula que origina crises ocupacionais – desmotivação pessoal e expectativa de aumento salarial. É como se a baixa remuneração algemasse o talento, a criatividade e o conhecimento técnico numa redoma blindada pela remuneração, apenas.

Enquanto na iniciativa privada, a instabilidade é o combustível para a criatividade e para sair do lugar-comum, no setor público, torna-se ameaça velada à estabilidade, a qual os funcionários públicos buscaram, pelo concurso público, livremente. Equivale-se a dizer que quem busca a estabilidade não sabe lidar com crises.

O Estado, como modelo de gestão de serviços públicos, está em crise de eficiência, o que esperar? Motivar, premiar, incentivar os servidores é a saída? Plano de cargos e carreira? Condições materiais de trabalho? Parece que nada disso tem funcionado, como estratégia de pessoal, nos últimos quinze anos.

O contribuinte perde a paciência cada vez mais e não aguenta mais afagos explicativos de déficit de pessoal ou de remuneração insuficiente. O setor privado faz a sua parte, sempre pressionado pela legislação fiscal e seus aparatos de controle tributário. O setor público, pelo contrário, se acomoda na fé pública outorgada e remunerada pelo setor privado.

O setor público não pode ser trincheira para os espertos de plantão nem para os acomodados. A máquina pública está precisando ser lubrificada com a vontade.

A estabilidade leva ao comodismo que, por sua vez, ensina o caminho para a má vontade. Já a instabilidade implica a fazer a roda rodar, desculpe a redundância, provocando movimento e saindo do lugar-comum, repetitivo e monótono.

O Estado hoje se encontra escravo da sua folha de pagamento e da aposentadoria do funcionalismo.

Está passando da hora de desconstruir a burocracia pública. O zelo pela observância das regras administrativas excessivas não pode servir como desculpa de morosidade, pois talvez esse zelo burocrático tenha ajudado a facilitar os caminhos do desvio do erário público, alimentando a corrupção. A transparência, junto à eficiência, não pode se esconder sob os tortuosos caminhos da burocracia e do desvio de função e de finalidade.

O desvio de função tem comprometido a segurança pública. A cedência de pessoal da ativa para atuação como seguranças em órgãos públicos diversos, o Projeto Florestinha e a Equinoterapia da PM são desvios de função, sim! Nada contra querer trabalhar a imagem institucional da corporação, mas sem tirar esses funcionários das funções para as quais prestaram concurso público. Há também policiais civis atuando como seguranças de deputados e outros, discretamente, é claro! Temos superintendências que repetem a mesma atividade, com nome diferente. Prédios e repartições do Estado e município fazem a mesma coisa, com o mesmo dinheiro do contribuinte (Funtrab x Funsat). Temos adjuntos, com ótimos salários, fazendo nada. Só esperando para substituir o chefe.

Não sei como os funcionários públicos reagirão a um possível congelamento dos seus salários com a PEC dos Gastos Públicos. Algumas categorias já estão se adiantando para expressar sua insatisfação quase permanente e que via de regra se volta contra o contribuinte com serviços de qualidade duvidosa e humor que precisa se reciclar.

Pois é, gente. Enquanto isso, nós, do setor privado, temos que direcionar nossa criatividade e talento cansado para entender essa relação malresolvida do setor público com o setor privado e pensar, a cada dia inflacionário, como nos “virar nos trinta”, não é?

 

 

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