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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Silêncio ensurdecedor"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Silêncio ensurdecedor"

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Por causa do silêncio do prefeito Marcos Trad, que outrora prometeu veto a projeto da Câmara, os vereadores terão aumento de salário antecipado.

É muito difícil ir às ruas de Campo Grande, ou procurar nas redes sociais, qualquer manifestação de cidadãos que são favoráveis ao aumento do salário dos vereadores para R$ 22 mil. Em um momento em que os governantes, economistas e boa parte da população clamam por mais justiça na distribuição dos recursos arrecadados com impostos, reajustar o ganho dos legisladores de Campo Grande, cuja produtividade é colocada em dúvida quase todos os dias por muitos moradores, soa, no mínimo, como um desafio. 

No mês passado, antes de sair de férias, o prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), havia declarado publicamente que vetaria o projeto de lei que reajusta o salário dos vereadores. Certamente, as palavras do chefe do Executivo influenciaram – e muito – no resultado das votações da Câmara antes do encerramento do ano legislativo de 2018: as emendas à Lei Orgânica do Município propostas pela própria mesa diretora da Casa de Leis foram retiradas de pauta e todos os vetos do prefeito Marcos Trad ao Plano Diretor foram derrubados pelos vereadores. 

No caso específico das emendas, que permitiriam vincular o salário do prefeito ao dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas que tinham o doloroso efeito colateral de permitir exorbitantes aumento de rendimentos aos auditores-fiscais, foi importante para as finanças do município a desistência da mesa diretora. Porém, ao derrubarem todos os vetos ao Plano Diretor, os parlamentares colocaram em sério risco o desenvolvimento do perímetro urbano da cidade pelos próximos 10 anos. Tudo isso por birra. 

Em tempos como os atuais, em que a informação circula rapidamente e a opinião dos cidadãos – emulada pelas redes sociais – tem alcance e dimensão nunca pensadas pelos que outrora ocupavam o poder, é muito importante respeitar o clamor popular. O silêncio de Marcos Trad sobre o assunto pode ter diferentes reações na população. A julgar pelos protestos e pela enxurrada de comentários reprovando o ato nas redes sociais, no mês passado, não será surpresa se os cidadãos ficarem insatisfeitos com o silêncio. 

Esse despacho em que Trad manifesta seu silêncio, publicado em edição extra, ontem, em Diário Oficial (leia mais na próxima página), denota graves problemas na relação entre o Poder Executivo, o Poder Legislativo e a população. Talvez seja o caso de o prefeito rever a organização de sua bancada de vereadores e colocá-la em sintonia com a opinião pública. Na nova política, o eleitor não se satisfaz em participar nas urnas, de quatro em quatro anos. Ele quer ser ouvido – e atendido – constantemente, para que se sinta representado. É a essa nova realidade que os detentores de mandato devem se adaptar.

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