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ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Retuitando (retweeting)"

Físico e Administrador

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Dizem que a bolsa de valores funciona diferente do que se imagina. Acredita-se que se deve ao progresso, ao crescimento econômico, ao lucro das empresas e ao aumento do valor das ações, embora se diga também que ela reflete um crescimento em razão da confiança do consumidor e ao resultado do seu consumo.

Já no caso da queda de seus índices, a motivação é o processo inverso e, como causas, inflação, variação nos preços, alta dos juros, levando a redução dos lucros das empresas, desvalorização das ações, desemprego, falências. Assim é o que se deduz pelo pensamento dos profissionais da área. Todavia especialistas contestam tal interpretação, considerada adequada embora superficial, aceita se – e somente se – os movimentos da bolsa forem também interpretados em longo prazo quanto ao volume de numerário e de gastos da economia, isto é no mercado.

Este mercado externo e de ações depende da injeção de dinheiro para crescer por meio de crédito bancário ou reduzindo os gastos em bens de consumo e reinvesti-los na bolsa. A redução de impostos também produz um efeito temporário de estímulo de preços no mercado, assim como o aporte de dinheiro externo. Até aqui, falamos de um tópico, a bolsa, que é influenciada pelo desempenho da economia, e isto é assunto para economistas.

O que se quer dizer é que se, mesmo superficialmente, a bolsa tem seus movimentos atrelados à confiança do consumidor e seu consumo e, por sua vez, ele é influenciado pelas notícias divulgadas na mídia, que ao seu turno se utiliza de informações “retuitadas” não oficiais, sem checagem da fonte, sem investigação adequada, tudo nos leva a crer que se incorreria numa leviandade com o processo econômico do País e que alguém pode se beneficiar com os resultados da corretagem versus notícias premeditadas.

O “retweet” consiste em replicar mensagens de usuários para seguidores, correligionários, por autor ou por “robots” automaticamente, a ponto de empresas proibirem seu uso, uma vez que a limitação de caracteres monossilábicos, incapazes de encerrar um entendimento ou proposição impostos na mensagem, e por desvirtuar o jornalismo de qualidade, este que passa a estender a matéria a ponto de torná-la noticia real e verdadeira, quando, na verdade, pode ser apenas “um balão de ensaio”, o convencimento de pessoas e o engessamento das ideias.

Informações privilegiadas ou sigilosas convenientemente vazadas e apoiadas pela prática de reproduzi-las pela mídia propositadamente ou não, produz consequências planejadas ou aleatórias.

Altos funcionários capazes de influenciar a opinião pública usando manobras, expedientes escusos, manifestaram-se a favor ou contra políticas de modo não oficial divulgado pelo Twitter, colocam em risco a democracia, quando elas são lançadas no éter e logo desmentidas.

Reduções de imposto de renda beneficiando a população e aumento dos impostos de operações financeiras atingindo aplicadores são afirmativas desmentidas por contrariarem os atuais planos liberalizantes; privatizações seletivas não atendendo às expectativas do capital e o acesso às armas, promovendo o aumento das ações da indústria interessada, ou anúncio de reforma da Previdência, contradita ao não considerar as atuais categorias privilegiadas, são elementos que apresentam instabilidade econômica e seus reflexos na bolsa, em que milhões são negociados.

Imaginemos uma notícia sobre reformas no sistema viário ou nas concessões públicas como aeroportos, ambas não oficialmente validadas, antecipadamente difundidas na mídia acarretarão especulações sobre quais ganhos financeiros não identificados serão auferidos, sem responsabilizações, e colocados na “conta do Abreu”.

Se, de fato, se busca uma correção de rumo, a ética, o combate aos desvios, a lisura nas declarações oficiais de governo, estas não podem se originar de opiniões, vontades, pretextos, lorotas, desmandos, injúrias, afrontas, principalmente se a seguir houver retratações, contradições, desmentidos das assertivas. O caminho está errado, e a imprensa investigativa e democrática não deve reproduzir tais textos sem antes analisar adequadamente as informações, além de averiguar a veracidade e quem se aproveita desse processo.

Ao seguir tal prática, em breve teremos como, já se desponta, o descrédito das notícias, a desconsideração das informações e o desabono dos veículos de comunicação. É hora de fazermos reflexões e mudarmos conceitos.

 

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