Depois de amargar perdas, a indústria de MS se reergueu no ano passado. Agora, ela precisa voltar a crescer.
Se a base econômica de Mato Grosso do Sul é a agropecuária – que, com sua força, ajudou o Estado a atravessar tempos conturbados –, a indústria, que atua no intermédo entre o produto e a última ponta, o consumidor, pode servir de termômetro para a economia. O comportamento do setor industrial é reflexo da realidade do mercado e, no caso do Estado, mostra que se inicia um processo de reaquecimento de temperaturas. Depois de amargar índices negativos e a perda de centenas de empregos, a indústria conseguiu se reerguer em 2018 e agora aguarda (animada, mais uma vez) por medidas para retomar o ritmo de antes.
Mesmo com todos os problemas, como a greve dos caminhoneiros, a nossa conturbada política e as eleições, empresários fecharam o ano de 2018 com o otimismo elevado e tiveram motivos para isso: o crescimento expressivo das exportações, como mostra reportagem de hoje do Correio do Estado. Embora o produto seja destinado para outros países, os impactos (bons ou ruins) ficam aqui. Com o crescimento das exportações, as empresas – de todos os tamanhos – precisam aumentar sua produção. Logo, mais produtos são demandados e mais empregos gerados. Bom para o fornecedor e bom para o desempregado. Pessoas empregadas voltam a gastar mais no comércio e, consequentemente, este também precisará aumentar seu estoque de produtos e o número de funcionários. A roda volta a girar, mesmo que num ritmo ainda muito aquém do necessário para curar todas as feridas deixadas pela crise. Passada a tormenta, é hora de reerguer aquilo que se perdeu. Parece que esse desafio a indústria de Mato Grosso do Sul deu início ainda no ano passado. Neste momento, o que se nota é que no cenário nacional todos parecem aguardar algo. Até pode ser que o Carnaval tenha sua participação para este clima de imobilidade. Mas, a possibilidade maior é de que o mercado esteja aguardando os próximos passos da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro.
Entre as medidas que geram maior ansiedade, está a Reforma da Previdência, em processo de discussão desde o ano passado, e cuja aprovação deve servir de propulsor de um crescimento mais acelerado. Por aqui, o tema é tratado com igual atenção, mas a indústria mostrou que está com pressa. O mês de janeiro foi o melhor da série histórica de exportações da indústria sul-mato-grossense, como apontou levantamento da Fiems.
A expectativa agora é que este ritmo se mantenha neste mesmo ritmo, contrariando as previsões mais seguras dos analistas, e que a geração de emprego - que já fechou o ano passado em alta - volte a atingir os índices dos bons tempos e, consequentemente, a roda volte a girar em todo o estado. Esse processo de retomada de crescimento pode levar um tempo, uma vez que os estragos foram muitos. Mas, o importante, porém, é que - ao menos baseado no cenário de hoje - é que ela virá.